José Boto foi o terceiro convidado do ‘MengoCast’, podcast da Flamengo TV, que foi ao ar nesta sexta-feira (4). O diretor técnico falou sobre diversos assuntos do clube, entre eles a preparação para o calendário apertado do futebol brasileiro. E o português acredita que a aplicação da metodologia de treino chamada de periodização tática será o diferencial da equipe.
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“Nós em Portugal temos uma metodologia de treino, muito famosa, que se chama periodização tática. Foi ‘inventado’ e desenvolvido por um português chamado Vitor Frade e se alastrou rapidamente pela Europa. Hoje, toda a Europa treina com essa metodologia. Felizmente o Filipe também aceita.”, disse.
Prós
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O modelo indica muito basicamente que não deve haver separação entre os treinamentos de cada vertente do jogo. Ou seja, os atletas trabalham os aspectos táticos, físicos, técnicos e mentais na mesma atividade e sempre visando o modelo de jogo proposto.
Um jogador precisa tomar decisões técnicas e/ou táticas dentro do contexto do seu time em cada partida, o que exige que estar fisicamente preparado para aquela ação específica. O entendimento, portanto, é que não adianta treinar esses aspectos de forma separada.
Treinos táticos servem também para ajustar a parte física do elenco. Um time que deseja ter intensidade para pressionar na marcação e após perder a bola vai treinar força enquanto reproduz os movimentos que serão feitos nos jogos, e caberá à comissão ajustar a intensidade de cada atividade pelo contexto do calendário.
O mesmo vale para treinos de velocidade, por exemplo. A periodização tática afirma que de nada adianta colocar os jogadores para darem “sprints” de forma isolada, já que a equipe vai precisar dessa velocidade em momentos específicos do jogo, que vão exigir movimentos diferentes, como contra-ataques, transição defensiva e ações sem bola.
José Boto explica que o resultado é o jogador melhorar fisicamente conforme ele soma treinos e jogos, já que estará cada vez mais adaptado ao que precisa fazer em campo. Isso ocasiona em alterações pontuais no time entre as partidas, sem a necessidade de ter um 11 titular e reserva.
O dirigente, aliás, entende que a aplicação da metodologia é o motivo para o sucesso de muitos técnicos portugueses no Brasil:
“Essa metodologia diz que o jogador fica melhor quanto mais joga. Em todos os pontos de vista fica melhor. Acredito, e ainda não vi dizerem isso, que o sucesso de muitos técnicos portugueses aqui é a utilização dessa metodologia de treino. Quanto mais joga, mais preparado o jogador está. Não há essa coisa de grandes poupanças.”
No Brasil, alguns treinadores ainda optam por treinamentos divididos. Os jogadores primeiro trabalham a parte física com os preparadores e depois vão ao campo fazer o treino tático.
Boto entende que Flamengo não pode ter titulares e reservas definidos
Dentro do contexto que apresentou, José Boto entende que o Flamengo precisa se aproximar do planejamento de equipes europeias para o elenco. Isso significa não ter time titular e reserva definidos para alternarem durante as competições, mas ter opções para o treinador mudar caso ache necessário por motivos táticos ou físicos de cada jogo.
“Acredito que vamos fazer aqui um pouco diferente. Sei que aqui há muito o elenco principal e o secundário, para mim isso não existe. Em certa altura terá um 11 que é melhor que os outros, mas daqui a uma semana será um 11 diferente. Caso contrário, não vale a pena ter um elenco assim. Os jogadores têm que trabalhar para darem a chance ao treinador de escolher os melhores para cada contexto e altura do campeonato. “
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