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De San Joaquin para o mundo: a carreira do Rei Arturo

Foto: Divulgação Conmebol

Com passagens por alguns dos maiores clubes do mundo, como Juventus, Bayern de Munique, Barcelona e Inter de Milão, Arturo Vidal é certamente um dos grandes meio-campistas de sua geração. Mas poucos sabem que sua grande aspiração na juventude, na verdade, se encontrava no turfe e, não fosse o conselho de um treinador de cavalos, o mundo do futebol não teria desfrutado de todo talento e raça do guerreiro chileno.

Nascido em San Joaquin, uma comunidade de classe operária na capital chilena Santiago, Vidal teve uma infância difícil antes de ser descoberto nas categorias de base do Colo-Colo, onde rapidamente conquistou seu espaço e chamou a atenção de olheiros do futebol europeu. De lá, se transferiu para o Bayer Leverkusen, da Alemanha, em 2007 e iniciou sua trajetória pelo Velho Continente.

Além das dezenas de títulos conquistados na Itália, Alemanha e Espanha, Vidal também se tornou um símbolo da talentosa geração chilena que levou La Roja às primeiras conquistas de sua história: os títulos das edições da Copa América de 2015 e 2016.

Após o anúncio de sua contratação pelo Rubro-Negro, Rei Arturo rapidamente caiu nas graças da torcida flamenguista, antes mesmo de entrar em campo. E embora suas atuações tenham sido discretas, ainda estando longe do nível demonstrado nos gramados europeus, Vidal se tornou uma peça importante nas conquistas da Copa do Brasil e da CONMEBOL Libertadores.

Com um temperamento explosivo, um talento excepcional e a raça e vigor de um guerreiro, Arturo Vidal se tornou um dos principais nomes do futebol sul-americano no Século XXI. Mas a infância pobre e a paixão pelas corridas de cavalo poderiam ter mudado o caminho de um dos mais vitoriosos jogadores chilenos da história do futebol.

Origens humildes

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Foto: Reprodução/Flamengo

Filho mais velho de Jacqueline Pardo e Erasmo Vidal, Arturo Erasmo Vidal Pardo nasceu em 1987 e recebeu o nome de seu avô. Junto com seus cinco irmãos, seus parentes e sua avó doente, ele cresceu em um lar turbulento e pobre na comunidade de San Joaquin, em Santiago do Chile.

Quando Vidal tinha cinco anos, seu pai saiu de casa, o que fez com que ele se tornasse o “homem da casa”, tendo de trabalhar para ajudar sua mãe no sustento do lar.

Aos nove anos, Vidal começou a faltar à escola, montando sua bicicleta e pedalando os dez quilômetros até o hipódromo de Santiago. Lá, ele alimentava os cavalos e limpava seus estábulos enquanto monitorava de perto o dinheiro que acumulara de seus vizinhos e guardava no bolso. Enquanto seus amigos e familiares esperavam em casa, o jovem Arturo saía em busca de um adulto para fazer apostas para ele antes do início da corrida.

No entanto, ele logo percebeu que suas pernas eram muito longas para realizar seu sonho de se tornar um jóquei e que suas únicas opções para permanecer perto dos cavalos eram continuar como cuidador ou tentar fazer fortuna com as apostas. Mas seu patrão na época, Enrique Carreno, tinha visto Vidal brincando com uma bola e um dia lhe deu um conselho: “Isso não é para você, garoto”, disse ele. “Você tem futuro no futebol”.

Em frente à casa da família havia, e ainda há, um campo de cascalho, casa do Rodelindo Roman Football Club, que compete nas ligas distritais de Santiago, onde Vidal começou a jogar aos seis anos. Lá, ele ganhou o apelido de “Cometierra” (come-terra, em espanhol), pois ele sempre ficava coberto de terra depois de jogar, tal era o estilo de jogo aguerrido que ele mantém até hoje. Quando tinha apenas 12 anos, Vidal foi descoberto por um ex-jogador do Colo-Colo, um dos maiores clubes do Chile, que o levou para jogar nas categorias de base do clube. E então a trajetória vitoriosa do Rei Arturo começou.

Carreira vitoriosa

(Foto: Reprodução)

Com o Colo-Colo, Vidal começou sua carreira profissional e logo se tornou peça importante no elenco que conquistou três títulos do Campeonato Chileno. Ele se mudou para a Europa em 2007 e jogou por quatro temporadas com o Bayer Leverkusen, onde despertaria o interesse de grandes clubes do futebol europeu.

Mais tarde, em 2011, transferiu-se para a Juventus, onde rapidamente se estabeleceu como um dos melhores meio-campistas do futebol mundial. Ele foi um jogador-chave na campanha da Velha Senhora à final da UEFA Champions League de 2015 e conquistou o Scudetto em cada uma de suas quatro temporadas lá. Após suas conquistas, Vidal foi adicionado à lista de dez finalistas para o prêmio de Melhor Jogador da UEFA de 2015.

Vidal voltou à Bundesliga em 2015 e se juntou ao Bayern de Munique, onde ganhou três campeonatos consecutivos da Bundesliga. Ele passou três anos em Munique antes de assinar com o Barcelona, onde conquistou seu oitavo campeonato nacional consecutivo. Ele voltou à Série A italiana em 2020 e assinou com a Inter de Milão, por quem conquistou a Copa da Itália e novamente outro campeonato nacional.

Apesar da vasta coleção de títulos, sua primeira conquista continental só viria após a transferência para o Flamengo. Vidal assinou com o Rubro-Negro carioca em julho deste ano e, apesar da dificuldade em se encaixar na equipe de Dorival Júnior, teve atuações de destaque nas campanhas que culminaram com os títulos da Copa do Brasil e da Libertadores, preenchendo assim a lacuna em sua carreira.

A sede por um título continental foi aliviada, no entanto, com as duas Copas América conquistadas com a seleção chilena em 2015 e 2016, ambas contra a temida Argentina de Lionel Messi. O grande líder da chamada “geração dourada” do Chile alcançava assim um feito que nem mesmo Marcelo Salas e Iván Zamorano, considerados os dois maiores jogadores chilenos da história, conseguiram.

Fora dos campos


Fora das quatro linhas, Vidal é um fã ávido de poker. O jogador é conhecido por promover jogos de poker com seus companheiros de time nas concentrações, e também costuma ser visto em torneios de poker nas cidades onde joga. Em 2019, quando ainda atuava pelo Barcelona, Vidal participou do torneio EPT Barcelona com o zagueiro Gerard Piqué e, juntos, faturaram quase 500 mil euros.

Tamanha é a popularidade de Vidal no Chile que, em 2014, quando se casou com sua primeira esposa, contou com a presença da então presidente do Chile Michelle Bachelet e dos ministros de estado Rodrigo Penãilillo e Álvaro Elizalde na festa do matrimônio. Além disso, seu perfil no Instagram é a conta de origem chilena com mais seguidores na rede social.

Sua carreira também foi marcada por controvérsias fora dos campos, por conta de sua vida turbulenta e boêmia. O jogador já teve sua habilitação para dirigir suspensa no Chile e na Itália, e se envolveu em um acidente com sua Ferrari em 2015, durante a disputa da Copa América.

Fonte: Diário do Fla