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A boa despedida do Flamengo antes de buscar o tri da América

Arrascaeta comemorando gol em Flamengo x Santos – Foto: Gilvan de Souza

MUNDO RUBRO-NEGRO: Por João Luis Jr.

Era praticamente um treino de luxo. Com um time cheio de reservas, alguns reservas dos reservas e o retorno de Diego Alves, que não atuava pelo Flamengo desde sua participação decisiva na eliminação de Paulo Sousa ainda no primeiro semestre, era visível que a prioridade da equipe rubro-negra era a final da Libertadores no sábado, sendo o confronto de hoje, contra o Santos no Maracanã, apenas mais um duelo para cumprir tabela num Brasileirão já definido.

Mas não é porque não valia muita coisa que o Flamengo abriu mão de oferecer ao seu torcedor ao menos alguns momentos de bom futebol. Seja no golaço de Pedro, num toque de letra tão bonito que obrigou o juiz a ignorar o pênalti infantil de Matheuzinho no lance anterior para não ter que invalidar o lance; seja no lindo passe de Gabigol que acabou resultando no gol de Marinho; seja na frieza praticamente glacial de Arrascaeta, um verdadeiro Sub-Zero uruguaio, afetando profundamente a dignidade do defensor santista antes de garantir o terceiro tento rubro-negro.

Não que tenha sido tudo perfeito, claro. Como os dois gols santistas provam, a defesa do Flamengo não deu exatamente um show, demonstrando grande dificuldade para conter o veloz ataque adversário, ainda que Pablo tenha tido boa atuação e Diego Alves tenha feito ao menos uma defesa importante – por mais que se possa questionar se a mistura de DNA humano com genes de tiranossauro novamente atrapalhou nosso arqueiro no segundo gol do Santos.

Mas tão importante quanto a vitória, que coloca o Flamengo temporariamente na vice-liderança do Brasileirão e vai aumentando a premiação da equipe ao final do torneio, é como ela parece mostrar um Flamengo ligado e preparado para a final deste sábado, o jogo mais importante do ano e possivelmente um dos mais importantes da história do clube.

Com apenas uma ausência confirmada, a de Varela – sem contar, é claro, jogadores com lesões de longo prazo, como Bruno Henrique e o Rodrigo “Grey’s Anatomy” Caio – e dependendo ainda da recuperação de Vidal, Dorival Junior parece ter rodado a equipe o bastante para chegar com o time praticamente inteiro para a decisão da Libertadores, com as principais peças em boas condições e até mesmo Arrascaeta, que sofre com uma pubalgia, aparentando estar com bom ritmo de jogo.

E o que resta agora ao torcedor rubro-negro, ao menos até sábado às cinco horas da tarde, é esperar. É aguentar a ansiedade, é respirar fundo, é tentar focar em outras coisas que estejam acontecendo por aí, lembrar que a outra principal coisa é a eleição, pensar que talvez seja melhor se concentrar em ficar ansioso por causa de futebol mesmo então.

Porque o Flamengo vai, pela quarta vez na sua história, disputar uma final de Libertadores, na busca pelo seu terceiro título continental, na ânsia de novamente viver o canto da torcida que pede que o clube ultrapasse os limites do estado, do país e do continente para buscar o mundo outra vez. Não vai ser fácil, como nada foi fácil num ano em que chegamos a ter como técnico um homem que achava que Everton Ribeiro era ala e penamos para vencer o Altos do Piauí.

Mas o Flamengo de 2022 foi provando, jogo a jogo, vitória a vitória, classificação após classificação, que sabe o que quer e tem sim todas as condições de conseguir. O Brasil a gente já conquistou semana passada, agora é a vez de conquistar a América do Sul. Esse time com certeza consegue e essa torcida com certeza merece.

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