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Fla e Timão colocam à prova resultado de gestão de craques

Foto: Reprodução

O GLOBO: Por Diogo Dantas e Tatiana Furtado

Com mais de 60 jogos disputados na temporada, Flamengo e Corinthians fazem da finalíssima da Copa do Brasil, hoje, 21h45, no Maracanã, a linha de chegada da prova de resistência que é o calendário nacional. Presentes nas três competições de peso até os paulistas serem eliminados pelos cariocas na Libertadores, os dois clubes deixaram o Brasileiro em segundo plano em busca do caminho mais curto por uma taça.

Em trabalhos iniciados há menos de um ano por novos treinadores, o atalho na direção das conquistas levou a uma necessária dosagem de elenco, para evitar novas lesões e ter mais e melhores opções nos momentos mais decisivos. Com a injeção de novos reforços no meio do ano, como Vidal e Yuri Alberto, titulares hoje, criaram-se alternativas a um onze ideal que não poderia sucumbir à maratona.

A estes atletas passou-se a dar mais tempo de treinamento, erradamente atribuído a um descanso. Quando os jogadores estão fora de viagens e dos jogos em si, podem se dedicar ao ganho de força, que evita contusões, e à melhor alimentação e sono. Sem contar a recuperação de dores musculares. Assim foi possível ter quase inteiros, pelo menos, os cérebros dos dois times, Arrascaeta, pelo Flamengo, e Renato Augusto, pelo Corinthians. Ambos ilustram a importância de dosar o talento para usá-lo bem.

Dosagem de minutos

A análise dos minutos jogados pelos atletas dos dois times titulares aponta para um Flamengo dependente de seu quarteto ofensivo, que foi usado sempre que possível ao longo de 69 partidas, com destaque para Gabigol. O atacante é o jogador rubro-negro com mais minutos em campo entre os titulares dos dois times. Foram praticamente cinco mil minutos. Até o momento, ele participou de 65 jogos, contando as partidas pela seleção.

Logo atrás vem Arrascaeta, o principal criador de jogadas do Flamengo e titular do Uruguai, totalizando mais de quatro mil minutos e 63 partidas. O meia uruguaio, inclusive, tem jogado com dores no púbis e teve queda em seu rendimento. Do quarteto, que ainda tem Everton Ribeiro, Pedro pode ter fôlego extra na final. Apesar de ter jogado quase 60 partidas no ano, o atacante não ficou tanto tempo em campo. Vale lembra que até a séria lesão, Bruno Henrique era o titular do time.

Ataque sobrecarregado

A situação do ataque do Flamengo contrasta com uma defesa consolidada do Corinthians, que precisou transformar a experiência em fôlego para atuar tanto. Foram 64 jogos da equipe no total. O goleiro Cássio, titular absoluto do time, e o zagueiro Balbuena, que contabiliza jogos na Rússia e pela seleção paraguaia, foram mais a campo na temporada, com quase cinco mil minutos. Gil também esteve presente constantemente. Pelos números, os laterais Fagner e Fábio Santos foram mais preservados. Mas o menor tempo em campo em relação aos companheiros de defesa se explica pela sequência de lesões do primeiro e pelos 37 anos de idade do outro. Caso semelhante ao de Filipe Luís no rival.

Em ótica invertida, a defesa rubro-negra titular, que demorou a ser firmar, tem menos minutos jogados e brechas técnicas nas figuras de Léo Pereira e Rodinei. E terá pela frente um ataque alvinegro reativo e veloz, mas sem o mesmo encaixe do rival. Em tese, os homens de frente do Corinthians chegam à final com um pouco mais de fôlego. Com exceção de Róger Guedes, que passou dos quatro mil minutos jogados , apesar de ter demorado a cair nas graças da torcida, os demais não chegam a três mil minutos. Yuri Alberto pouco atuou na Rússia antes de se transferir para o Corinthians, no meio do ano, após a invasão da Ucrânia. E Adson nem sempre foi a principal escolha do técnico Vitor Pereira.

O raio-x demonstra os pontos fortes dos dois times e o que precisa melhorar de lado a lado para que um supere o outro em uma final que, como mostrou o primeiro jogo, será decidida nos pequenos detalhes em cada um dos 90 minutos.