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Dorival Jr aposta na torcida do Flamengo para conquistar título

Fumaça e sinalizadores da torcida do Flamengo – Foto: Rafael Arantes

GLOBO ESPORTE: Para o técnico Dorival Junior, o Flamengo criou um pouco mais de oportunidades de gol do que o Corinthians na primeira partida da final da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, na Neo Química Arena, em São Paulo. A partida, no entanto, terminou empatada em 0 a 0, e o título será decidido no Maracanã, na próxima quarta-feira, às 21h30.

Ao fim da partida, o técnico Dorival Junior destacou o equilíbrio entre as equipes, analisou o desempenho de Arrascaeta, e destacou a importância de contar com a torcida no jogo de volta em casa.

– A minha mensagem é essa: que faça a diferença como nós fizemos, em especial naquela partida contra o Atlético-MG e nas demais que jogamos lá dentro. O torcedor impressiona quando participa da forma como tem acontecido. Não queremos nada diferente daquilo que nós vimos na grande maioria dos nossos jogos. Principalmente nos jogos das Copas, quando todo movimento, toda a ativação, a maneira como carregaram nosso time. Aquilo demonstra a paixão que existe, a sintonia, a harmonia e não tenho dúvida que vamos fazer grande jogo para retribuir toda a confiança – projetou.

O Flamengo criou algumas boas oportunidades, principalmente em finalizações de Gabigol e de David Luiz, que acertou um chutaço no travessão. Para Dorival, a partida foi equilibrada e o título continua aberto. Mas acredita que seu time criou um pouco mais na Neo Química Arena.

– Jogo disputado, nervoso. Mas foi um jogo bem jogado. As duas equipes procuraram o gol. Tivemos momentos melhores. Em outros, o Corinthians foi melhor. Jogo equilibrado, talvez o Flamengo com algumas oportunidades a mais. Principalmente jogando por dentro, com combinações. Está tudo aberto. Precisaremos de mais para que possamos encontrar o resultado e uma partida que nos dê uma oportunidade de buscar a vitória – disse o técnico.

Um dos principais jogadores do Flamengo, o chileno Arturo Vidal foi a campo mesmo com um drama familiar. O pai do jogador morreu na última segunda-feira, em Santiago. Ainda assim, Vidal decidiu continuar com o grupo, e entrou no jogo no segundo tempo. Dorival revelou que o jogador foi firme na decisão de se manter na partida.

– Momento em que só o atleta pode direcionar. Ele preferiu ficar, logicamente que ele sentiu demais, como todos nós sentimos por ele. Nós respeitamos a decisão. Ele foi taxativo quando decidiu. Nós não tínhamos argumentação nenhuma. Ele foi muito homem com todos nós, o que faz com que o respeitemos cada dia mais pela postura que teve. Da hombridade, dignidade mesmo num momento dificílimo.

– Ele pensou num todo, no grupo, sabendo que talvez ele não pudesse nem chegar para acompanhar (enterro). Situação difícil, é complicado. Para chegar a alguma conclusão tivemos que ouvi-lo muito mais do que sugestioná-lo. Ainda que tivéssemos falado para ele ir para o Chile ele decidiu permanecer – concluiu.
Antes da decisão na semana que vem, o Flamengo volta a campo no sábado, às 20h30, para enfrentar o Atlético-MG, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro.

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Arrascaeta esteve muito bloqueado?

– Não sei se só isso. O que tivemos um pouco de dificuldade foi no ataque à profundidade. E quando isso acontece, quando você joga apenas por trás, você acaba tendo problemas. E nossa equipe sabe como ninguém atacar os espaços. E se isso tivesse acontecido quando o Arrascaeta teve a bola, a lucidez, encontraria alguém em condição de penetração. Não tendo, tivemos que jogar muito mais transitando bola na frente da área adversária do que qualquer outra situação. Acho que nós fizemos grande partida no todo. Era jogo que exigiria, como exigiu, concentração muito grande, em que qualquer falha, qualquer erro poderia ser fatal. E talvez tanto uma quanto outra equipe não se expuseram tanto porque nós ainda teremos 90 minutos em jogo com igualdade de condições em que tudo pode acontecer.

Flamengo é favorito no Maracanã?
– Olha, é um clássico do futebol brasileiro, são duas grandes equipes. Chegaram onde chegaram não foi por acaso. Sinceramente, não tem favorito. Não adianta aqui buscarmos condição diferenciada, temos que jogar com muito cuidado. O Corinthians naturalmente vai fazer outro tipo de jogo no Maracanã, mas não vai deixar de ser equipe perigosa, constante, regular como vem sendo nas últimas apresentações, principalmente jogando aqui dentro. Tem evoluído muito desde nosso último encontro. É uma equipe que cresceu demais. Nós teremos que jogar bem mais, assim como eles, se quisermos a busca pelo resultado. Espero jogo ainda melhor do que foi esse primeiro, naturalmente entendendo que existiria, como existiu na partida, um nervosismo, ansiedade natural, depois de espera tão longa. Foi tempo demorado até chegar aos jogos decisivos, natural que gere outra condição em cada atleta.

Cartão amarelo para João Gomes
– Acho que vou respeitar a opinião do João (nas redes sociais). Vou entender a forma como ele falou. Acho que ele (árbitro) foi rigoroso demais. Outros lances aconteceram, inclusive mataram contra-ataque nosso muito claro, segurando, não houve aplicação do cartão. Mas falar de arbitragem… um dia você é favorecido, no outro é prejudicado. Outros lances aconteceram que talvez tenham merecido rigor maior e não foi aplicado. Infelizmente perdemos jogador que é muito importante no contexto, fundamental no nosso posicionamento, ele vai ficar fora da decisão da Copa do Brasil. É uma pena que isso tenha acontecido. Ele (árbitro) sabe que errou. Porque todo mundo ali reagiu de uma maneira e quando isso aconteceu é porque houve o erro. Infelizmente não tem como voltar atrás.

Prova de confiança em Rodinei
– (O Corinthians) não atacou porque ele esteve muito bem posicionado. Esse é um ponto, o segundo ponto eu tinha realmente dúvida entre ele e Matheuzinho e foi até o dia de ontem. Defini pelo histórico do titular, pelas partidas que ele vinha realizando, não pelas últimas partidas, mas muito pelo histórico que ele apresentou desde a minha chegada e eu tinha que respeitar isso. Acho que isso é uma prova de confiança no atleta em razão de tudo que ele havia feito até então. Não poderia virar as costas em momento de decisão para jogador que foi importante para a gente nas duas competições, principalmente. Foi muito nesse sentido. Ele sabe que tenho confiança nele, ele sabe que pode produzir mais do que aconteceu na noite de hoje. Vamos ter calma, equilíbrio para que ele possa retomar aquele momento que ele vinha tendo até umas rodadas atrás.

O que faltou ao Flamengo?
– Tivemos ótimos momentos com saída de bola, encontrando e quebrando a primeira linha de combate do Corinthians na maioria das jogadas. É uma equipe que acredita no seu potencial de saída, tivemos boas inversões de lado. Para mim o que faltou foi o último momento, as infiltrações, as penetrações, o ataque à última linha adversária. Se isso tivesse acontecido não tenho dúvidas que nós teríamos produzido muito mais do que fizemos. Não acontecendo, tivemos mais dificuldade, mas mesmo assim transitamos bola com paciência, com segurança, com equilíbrio, buscando melhor momento possível com as infiltrações. A defesa do Corinthians também se mostrou sólida, muito bem compactada e fechada por dentro. Nos deu a possibilidade de ataque pelos lados do campo, ainda assim foi pouco em razão dos poucos ataques que tivemos na última linha do adversário.

Elogios à arbitragem
– Foi uma boa arbitragem, mas na minha opinião ele foi rigoroso em demasia na jogada do João. Não tinha necessidade do cartão para o João, ele tinha jogador importantíssimo da partida decisiva. E deixou cartão em dois momentos para jogadores do Corinthians. Isso aí, ponto. Não foi arbitragem ruim, ao contrário. Foi arbitragem segura, passou segurança para as duas equipes. Eu acho que o lance do pênalti é muito discutível também, não vejo dessa forma. Acredito que tenha sido lance muito rápido ali, jogador às vezes não tem reação porque ele está fazendo movimento natural, espontâneo. Ele não fez movimento abrindo, obstruindo a passagem da bola. Eu sinto que foi arbitragem muito boa e segura, digna de jogo importante como foi. Só não tinha necessidade daquele cartão, que nos tira um jogador muito importante do jogo final.