Início Notícias Flamengo e São Paulo se orientam por receitas e ciência

Flamengo e São Paulo se orientam por receitas e ciência

São Paulo x Flamengo – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

O GLOBO: Por Diogo Dantas e Laís Malek

Mapa da mina, mapa de calor. Finalistas dos torneios continentais desta temporada, Flamengo e São Paulo protagonizam hoje às 21h30 o segundo embate valendo vaga na decisão da Copa do Brasil, com dois pontos em jogo que estão por trás do resultado: receitas e ciência. O prêmio em dinheiro para o vice-campeão é de R$25 milhões, enquanto quem levantar a taça embolsa R$ 60 milhões. Isso sem falar no valor acumulado pelos dois até agora, de quase R$ 15 milhões nas fases classificatórias da competição, o que beira em premiações os R$ 80 milhões. O montante é um dos fatores que tem feito com que o rubro-negro carioca e o tricolor paulista priorizem a competição eliminatória em detrimento do Brasileiro por pontos corridos, especialmente em um ano em que o Flamengo ainda não bateu a meta com venda de atletas, diferentemente do São Paulo, que persegue outras cifras previstas em orçamento. A outra razão é uma gestão de elenco baseada na prevenção de lesões para a disputa das principais competições.

Com necessidades financeiras menores do que o rival ainda afogado em muitas dívidas, o Flamengo está mais perto do que o São Paulo de ver a cor de mais dinheiro. Além da vantagem de decidir em casa, fez bonito no Morumbi e bateu o São Paulo por 3 a 1. Com a vaga na final da Libertadores, o total do faturamento só com premiações no ano já faz o clube carioca se aproxima dos R$84 milhões, isso sem levar em conta os cerca de R$ 30 milhões hoje garantidos pela posição ocupada no Brasileiro. Se confirmar a vaga na final na Copa do Brasil, o valor salta para quase R$109 milhões, e se for campeão das duas competições, deve levar cerca de R$195 milhões — os valores são aproximados porque o prêmio do torneio continental é feito em dólar, com U$13,55 milhões de dólares em premiação acumulada para o vice, e U$23,55 milhões para o vencedor. A meta do orçamento para premiações seria facilmente ultrapassada, pois prevê R$ 130 milhões ganhos de acordo com desempenho nos torneios.

O Flamengo espera ainda que a eventual final da Copa do Brasil tenha o mesmo lucro do jogo com o Vélez pela semifinal da Libertadores, na casa dos R$ 6 milhões, para que se aproxime ainda mais da meta orçada para bilheteria e sócio-torcedor. São R$ 102 milhões em uma linha e mais R$ 49 milhões na outra, respectivamente. A diretoria acredita que com a classificação e as rodadas que restam do Brasileiro o objetivo será alcançado após dois anos de pandemia. A pretensão do clube é ultrapassar a barreira do R$ 1 bilhão em receita anual bruta. Para isso dependeria também de alcançar a meta de venda de jogadores, de R$ 186 milhões, ainda não atingida.

Para o São Paulo, as premiações e metas são menos ousadas, embora tão importantes quanto. O clube orçou vender R$ 147 milhões em direitos de atletas, e já ultrapassou os R$ 200 milhões com as negociações de Antony e Casemiro para o Manchester United, através do mecanismo de solidariedade.

Os valores da Sul-Americana são menores do que o da competição principal do continente, mas o grande campeão pode faturar até U$7,2 milhões, o que dá cerca de R$36,7 milhões na cotação atual. Até agora, o clube paulista já confirmou R$36,27 milhões na conta, mas o valor pode aumentar para R$ 61,3 milhões, se avançar na Copa do Brasil. Se vencer a Sul-Americana, mas for eliminado no outro mata-mata, o faturamento é de R$51,6 milhões, e no caso de vencer as duas competições, o valor pode chegar a R$111,6 milhões.

Tabu de 75 jogos
Desde julho de 2021, o Flamengo não perde um jogo por três ou mais gols de diferença, placar que o São Paulo precisa para avançar direto. O curioso é que o último a bater o clube carioca assim foi justamente o Athletico-PR, adversário na decisão da Libertadores, também pela semifinal da Copa do Brasil. Em números, o rubro-negro atravessa sua melhor fase na temporada e está invicto há 18 jogos, entre as três competições que disputa — o último revés foi na 16ª rodada do Brasileirão, na derrota de 1 a 0 para o Corinthians com time misto e gol contra de Rodinei. A invencibilidade conta com quatro empates e 14 vitórias, fruto do trabalho de Dorival Junior, que em 28 jogos à frente do clube tem aproveitamento de 73,8%. O técnico aperfeiçoou metodologia de rodízio de titulares e reservas para prevenir lesões e manter a integridade física dos atletas e evitar novas lesões.

Do outro lado, um treinador que tem um tipo de trabalho integrado com o departamento médico nos mesmos moles. Ceni teve seus tempos de glória – e infâmia – na Gávea. Apesar de ter ganhado dois campeonatos nacionais consecutivos, o fraco desempenho na Libertadores fez o treinador perder a confiança da torcida, e ele deixou o clube no meio do ano passado, abrindo uma série de mudanças no comando do Flamengo, que só voltou a reencontrar os bons desempenhos com a demissão de Paulo Sousa. Em sua gestão, Ceni teve 45 jogos, com 23 vitórias, 11 empates e 11 derrotas, aproveitamento de 59,3%.

Escalação
Ausentes do jogo contra o Goiás no fim de semana, por suspensão, Gabigol e Pedro voltam ao Flamengo contra o São Paulo e integram a formação ideal mandada a campo mais uma vez em uma decisão de mata-mata. A presença de todos os titulares na Copa do Brasil não quer dizer que o elenco está em suas melhores condições. Apesar da vantagem do jogo de ida, a partida vai marcar também a manutenção de Arrascaeta e Everton Ribeiro na equipe por Dorival Junior, mesmo com o técnico ligando o alerta para a sobrecarga.

Os meias vêm de problemas físicos distintos, mas têm atuado no sacrifício. Arrascaeta faz trabalho à parte até em casa para melhorar de dores no púbis. Enquanto Ribeiro se recuperou de uma gastrointerite que resultou em febre depois da partida pelo Brasileiro no domingo.

No mais, o Flamengo terá o retorno dos laterais titulares e de João Gomes ao lado de Thiago Maia no meio. Para compensar o baixo poder de combate dos meias, o jovem volante é peça fundamental no esquema tático rubro-negro, que precisa se preocupar em não levar gol.