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No Flamengo, Dorival resgata prestígio de técnicos brasileiros

Dorival Jr com a bola em treino do Flamengo – Foto: Marcelo Cortes

GILMAR FERREIRA: Para se ter ideia do tamanho do feito do Flamengo na goleada sobre o Vélez no José Amalfitani, em Buenos Aires, na quarta-feira (31/8), a última vez que um visitante havia feito 4 a 0 sobre o oponente numa semifinal de Libertadores ocorrera há 19 anos.

Mais precisamente, em 2003, ano em que o campeão Boca Juniores goleou o América de Cáli, na Colômbia, no jogo de volta, selando a vaga na final em dois jogos contra o Santos.

Coincidentemente, o time de Dorival repete a injeção de autoconfiança que referendou o Flamengo de Jorge Jesus na semifinal de 2019.

Pois foi no 5 a 0 sobre o Grêmio, no Maracanã, que os argentinos enxergaram estarem diante de uma equipe de fato diferente.

Na final única daquela edição do torneio, o River Plate teria pela frente um adversário com qualidade técnica, imposição tática e fôlego competitivo.

Três virtudes percebidas no time que volta a fazer história a caminho da terceira final da Libertadores em quatro anos.

O Flamengo joga com intensidade na fase ofensiva sem deixar espaços na defesa, e isso é tudo o que sua exigente torcida pedia.

A ponto de os bons resultados resgatarem o futebol brasileiro do subliminar modismo da importação de treinadores.

Porque é assim em qualquer país europeu: a qualidade do trabalho de um treinador está quase sempre relacionada ao talento e à experiência dos jogadores.

Ambos dependentes da estrutura do clube empregador.

E não há exceções – é isso, e pronto!

Evidente que o intercâmbio fez e faz bem à qualquer classe.

A troca de experiências aprimora o saber e a concorrência estimula o desenvolvimento.

Mas a busca frenética do Flamengo de Marcos Braz por um novo Jorge Jesus em 2020 e 2021, apostando em aventuras com Domenèc Torrent, num primeiro momento, e Paulo Sousa, num segundo ato, hoje percebe-se ter sido irresponsável e custosa.

Os dois pouco acrescentaram ao clube, e para desfazer os contratos gastou-se cerca de R$ 19 milhões.

É certo que Dorival Júnior ainda não enfrentou percalços como os que impactaram o trabalho de Rogério Ceni e Renato Gaúcho em 2021.

Porque não se deve esquecer que os desfalques de titulares importantes por convocações e lesões minaram o segundo semestre do Flamengo.

Gabriel fez 18 rodadas do Brasileiro.

Éverton Ribeiro, 23.

Arrascaeta e Pedro, 24.

Estes dois, aliás, foram desfalques na derrota de 3 a 0 para o Athlético-PR que eliminou o clube nas semifinais da Copa do Brasil.

Mas, de qualquer forma, ver o time rubro-negro jogando em alto padrão e caminhando para um final de vitorioso sob o comando de um brasileiro, areja o cenário.

E, por tabela, renova o crédito dos treinadores do país…