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Passagens para final disparam após goleada do Flamengo

Ônibus do Flamengo tentando passar no meio da torcida no AeroFla antes da final da Libertadores de 2021 – Foto: Marcelo Cortes

UOL: Bruno Braz

Até os mais supersticiosos estão deixando a cautela de lado após a goleada do Flamengo por 4 a 0 sobre o Vélez Sarsfield, que deixou a equipe com quase dois pés na final da Libertadores. Porém, ao que parece, o sentimento de otimismo dos rubro-negros com a enorme possibilidade de chegar à decisão tomou conta também das companhias aéreas, que “cresceram o olho” com a iminente chance de o clube disputar o título e aumentaram os preços das passagens para Guayaquil (Equador), local da finalíssima, que ocorrerá no dia 29 de outubro.

O UOL Esporte fez uma consulta ontem (1), na parte da tarde, e fez simulações com as datas mais procuradas de ida e volta partindo do Rio de Janeiro. Os valores, que já estavam caros antes da vitória do Rubro-Negro sobre os argentinos na última quarta-feira (31), agora estão exorbitantes, sendo que, além disso, não há voo direto para a cidade equatoriana.

As mais baratas estavam saindo a quase R$ 6 mil, porém, com durações de mais de 30 horas de viagem na ida por causa das escalas. Os voos mais rápidos, a depender da data, ultrapassam os R$ 12 mil.

Presente nas finais de Lima (Peru), em 2019, quando o Flamengo foi campeão, e Montevidéu (Uruguai), em 2021, quando o Rubro-Negro perdeu para o Palmeiras, o empresário Luciano Correia ainda não comprou a passagem para Guayaquil e demonstra preocupação.

“Eu já estou ficando desesperado com essa questão dos preços das passagens. Ontem um amigo pagou R$ 10 mil, mas para mim não há condições”, disse.

“Curiosamente”, uma semana após a final, o preço das passagens despenca por mais da metade.

Viagem de ônibus tem duração de 5 dias
O torcedor que optar por ir a Guayaquil de ônibus terá pela frente uma dura, cansativa e longa viagem via terrestre. Para quem sai do Rio de Janeiro, por exemplo, a duração prevista é de, no mínimo, cinco dias.

O trajeto passa por Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile e Peru, até chegar à capital equatoriana. Geralmente, neste roteiro, o passageiro troca de veículo em Buenos Aires (Argentina) e Lima (Peru), antes de desembarcar no destino final. O custo da passagem, segundo os sites especializados, está saindo entre R$ 2 mil e R$ 3 mil.

Hospedagem tem mais opções nas plataformas comunitárias
Além da dor de cabeça para obter uma passagem para Guayaquil, o torcedor terá de se preocupar também com a hospedagem na cidade equatoriana. Assim como ocorreu em Montevidéu, em 2021, há poucas opções de hotéis para a grande demanda.

Diante da situação, muitos rubro-negros têm optado pelas plataformas online de anúncios e reservas em domicílios residenciais, prática que foi comum tanto no Uruguai como em 2019, na decisão em Lima.

“Eu achei que seria difícil novamente essa questão da hospedagem, mas analisando nestes serviços, até que você encontra bastante. E tem para todos os bolsos”, disse o empresário Vitor Miranda, presente nas finais em Lima e Montevidéu, e que adotou essa tática dividindo uma residência com amigos.

Agências oferecem pacote completo a R$ 17 mil
Algumas agências de viagem estão oferecendo pacotes completos onde, segundo elas, estão inclusos passagem, hospedagem, ingresso para o jogo e transfer para o estádio.

Uma das que o UOL Esporte consultou já vendeu todos os pacotes com hospedagem em Guayaquil e agora oferece um novo para a cidade litorânea de Salinas, que fica a cerca de duas horas de carro do local da partida. O pacote está saindo a R$ 17 mil, podendo ser parcelado em até 6x sem juros.

Vale ressaltar que a Conmebol ainda não divulgou qualquer tipo de serviço informando sobre valores, quantidade e como se dará a comercialização de ingressos para a decisão.

Torcedor do Fla tem reserva desde a derrota na final de 2021
Uma das principais características do torcedor do Flamengo é o otimismo, e essa característica se reflete no estado de espírito do empresário carioca Rodrigo Sousa.

Presente nas principais decisões do Flamengo na Libertadores em 2019 e 2021, ele reservou sua hospedagem para Guayaquil logo após o Rubro-Negro perder o título para o Palmeiras no ano passado, sem sequer o clube ter iniciado sua campanha na competição deste ano.

“Aquele título era para ser nosso, foi por causa de uma falha do Andreas [Pereira]. Ficamos com um gostinho na boca e sabíamos que éramos superiores no jogo e naquele campeonato. Foi uma falha, aconteceu, mas me juntei a mais quatro amigos e fizemos a reserva logo após Montevidéu”, declarou ao UOL Esporte.

Porém, assim como muitos flamenguistas, Rodrigo também ainda não comprou passagem. Experiente neste tipo de viagem, ele mantém a paciência.

“Estamos vendo o caminho que iremos pegar. Se vamos por Lima, pelo Panamá…Tem uns caminhos que iremos decidir mais para perto”, declarou o flamenguista, que esteve nas semifinais e finais de 2019 e 2021, e que já marcou presença como visitante este ano nas quartas (em São Paulo, contra o Corinthians) e semifinal (em Buenos Aires, contra o Vélez).

Final ocorrerá à véspera de possível 2º turno de eleição
Uma curiosidade importante este ano é que a final da Copa Libertadores ocorrerá um dia antes de um possível segundo turno nas eleições brasileiras. Segundo as pesquisas atuais, há uma forte tendência de que no pleito presidencial ocorra uma disputa entre o atual presidente, Jair Bolsonaro, e o ex-presidente Lula.

Segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral, “o eleitor inscrito no Brasil que se encontrar no exterior na data do pleito pode apresentar justificativa pelo e-Título no dia e no horário da votação. Pode ainda, em até 60 (sessenta) dias após cada turno ou no período de 30 (trinta) dias contados da data do retorno ao Brasil, apresentar justificativa pelo e-Título, pelo Sistema Justifica, ou entregar o Requerimento de Justificativa Eleitoral (pós-eleição) em qualquer zona eleitoral ou enviá-lo pela via postal ao juiz da zona eleitoral na qual for inscrito, acompanhado da documentação comprobatória da impossibilidade de comparecimento ao pleito”.

Em 2019, troca de sede e perrengue em estádio; Em 2021, poucos lugares para hospedagem
O torcedor do Flamengo que esteve presente nas duas últimas finais da Libertadores do clube teve de passar por alguns percalços. Em 2019, por exemplo, a decisão, inicialmente, aconteceria em Santiago, mas protestos civis violentos na capital chilena, por causa da política local, fizeram com que a Conmebol transferisse o jogo para Lima, no Peru, o que gerou uma grande dor de cabeça para quem já havia feito reservas.

Todo um processo burocrático, financeiro e de logística teve de ser feito para troca e algumas companhias aéreas ofereceram serviços exclusivos para quem estava nesta situação.

No dia da final, muitos flamenguistas reclamaram da estrutura precária do estádio Monumental, na capital peruana, relatando falta de água, dificuldade de acesso, entre outras questões. A compensação foi o título épico após vitória por 2 a 1 sobre o River Plate (ARG).

Já em Montevidéu, em 2021, o grande problema foi o serviço de hotelaria. A questão, resumidamente, se deu da seguinte forma: havia mais gente do que local para se hospedar na capital uruguaia, e alguns rubro-negros — e palmeirenses — penaram neste quesito. O Flamengo acabou perdendo a decisão para o Palmeiras por 2 a 1.