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Governo pede contratos do Flamengo com sites de apostas

Gustavo Henrique e João Gomes comemorando gol do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

UOL: Igor Siqueira

O governo federal informou que fez uma notificação a clubes, federações e também à Globo na qual pede cópias dos contratos de patrocínio firmados com empresas de apostas esportivas. A iniciativa é da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão ligado ao Ministério da Justiça e abrange grandes clubes, como Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo.

Segundo nota, o intuito é apurar quais companhias estão atuando no mercado brasileiro. A Senacon “entende que a atividade pode estar sendo explorada sem a devida autorização e sem qualquer mecanismo de controle, fiscalização ou prestação de contas”.

A notificação abrange 54 entidades, entre clubes, federações e a própria Globo. Os citados terão 10 dias para responder. A lista de clubes é abrangente, já que as empresas de apostas estão com grande presença nos clubes. Todos os clubes da Série A são patrocinados por algum site de apostas.

Atlético-MG (Betano), Atlético-GO (Amuleto Bet), América-MG (Pixbet), Avaí (Pixbet), Botafogo (Blaze), Fluminense (Betano) e São Paulo (Sportsbet.io) empresas do ramo como patrocinador master, aquele que ocupa o espaço mais nobre no uniforme e, portanto, paga mais.

Um levantamento da Odds Scanner aponta que a Série A do Brasileirão, proporcionalmente, é quem tem a maior abrangência de parceria entre sites de apostas e clubes. Quem mais se aproxima é Portugal, com 16 de 18 clubes patrocinados:

1 – Brasileirão Série A (Brasil): 20 de 20 clubes
2 – Liga Portugal (Portugal): 16 de 18 clubes
3 – Premier League (Inglaterra): 8 de 20 clubes
4 – Ligue 1 (França): 6 de 20 clubes
5 – Liga Profesional (Argentina): 6 de 28 clubes

E a regulamentação?
O questionamento do governo se dá em um contexto no qual as apostas esportivas de quota-fixa ainda não foram regulamentadas no Brasil, embora uma Lei Federal de 2018 determinasse a criação delas.

Só que a falta de regulamentação gerando um vácuo no mercado nacional. Muitas das empresas que exploram a atividade no mercado brasileiro não têm sede no país, o que faz com que receitas geradas pela atividade não fiquem por aqui.

“É improvável que o setor comece a desacelerar tão cedo no país. O que é possível é que o Brasil se inspire em países que já convivem há um tempo com as apostas e implemente rapidamente um conjunto de leis que observe também publicidade dessas companhias, principalmente no âmbito esportivo, de forma a evitar qualquer suspeita de influência nos jogos de futebol”, disse Gonçalo Costa, CEO da Odds Scanner.

Na aposta de quota-fixa, o apostador tenta prever o resultado de jogos de futebol, os placares, o número de cartões aplicados, entre outros itens. A diferença para outras loterias é que, no momento da aposta, o consumidor já sabe o quanto poderá ganhar em caso de acerto. Essa previsão é dada por meio de um multiplicador (a quota-fixa) do valor apostado.

“Atuamos com as principais plataformas e imagino que seja um movimento para entender o quanto que esse mercado mobiliza no principal esporte do país. Até em razão disso, também acho primordial a regulamentação das casas de apostas. Vai trazer muito mais credibilidade e transparência para todos os envolvidos”, disse Bernardo Pontes, sócio da BP Sports, agência especializada em marketing e patrocínio esportivo.

Lista dos notificados
América-MG
Athletico-PR
Atlético-GO
Atlético-MG
Avaí
Botafogo
Bragantino
Ceará
Corinthians
Coritiba
Cuiabá
Flamengo
Fluminense
Fortaleza
Goiás
Internacional
Juventude
Palmeiras
Santos
São Paulo
Bahia
Brusque
Chapecoense
CRB
Criciúma
Cruzeiro
CSA
Guarani
Grêmio
Grêmio Novorizontino
Ituano
Londrina
Náutico
Operário
Ponte Preta
Sampaio Corrêa
Sport
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Vila Nova
Tombense
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