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Liga de Clubes do Brasil estuda modelo de Fair Play financeiro

Leila Pereira e Rodolfo Landim, presidentes de Palmeiras e Flamengo, respectivamente – Foto: Gilvan de Souza

BLOG DO RODRIGO MATTOS: O grupo da Libra (Liga de Clubes do Brasil) estuda o modelo de Fair Play financeiro a ser adotado para os clubes que disputem o Brasileiro. Já houve conversas com a CBF que tem sistema pronto e não implantado. E já há alguns princípios em estudo como evitar clubes super ricos com receita artificial como o Manchester City, o que está dentro do modelo da CBF.

É preciso lembrar que ainda é necessário acordo entre a Libra e a Liga Forte Futebol para a efetivar a Liga da Série A e B. Há uma discussão em curso sobre a divisão de dinheiro dos direitos de TV. O modelo de Fair Play teria de ser traçado em um acordo em uma segunda etapa.

Mas há praticamente um consenso da necessidade de implantação de um sistema de Fair Play financeiro na Liga. Até porque eventuais fundos investidores na entidade se tornariam sócios desta e, portanto, teriam de analisar suas contas. A ideia é justamente usar o dinheiro de um investimento para arrumar as contas de clubes endividados.

Além disso, há um entendimento de que seria necessário evitar o modelo de investimento a perder de vista sem possibilidade de gerar receita. Um exemplo seria um fundo comprar um clube pequeno, de torcida reduzida e eleva-lo à Série A com dinheiro vultoso.

Esse tipo de restrição já está previsto no modelo de Fair Play desenhado para a CBF. Mas o sistema nunca foi posto em prática. Agora, a Liga pediu o trabalho feito para a confederação pelo economista César Grafietti para analisar se pode adotar alguns dos seus princípios.

A restrição incluída no Fair Play para a CBF regra similar ao sistema da Uefa que prevê restrição de 30% de receitas oriundas de empresas do seu grupo controlador. O objetivo é evitar patrocínios de firmas do mesmo conglomerado para inflar receitas como fez o Manchester City.

Outros pontos essenciais do Fair Play são o controle de gastos, de déficit e do nível de endividamento nas contas dos clubes. A La Liga, por exemplo, tem regras rigorosas sobre quanto se pode gastar com salários e contratações de acordo com suas dívidas e receitas.

Membros da Libra têm conversado com a diretoria da CBF sobre a possibilidade de o Fair Play ser implantado pela entidade antes mesmo da Liga. Atualmente, a legislação está engavetada na confederação.

E isso afetaria clubes grandes que venderam suas SAFs com previsão de aportes? Em princípio, não são esses os alvos. Vasco, Botafogo e Cruzeiro, que receberam investimento, têm plano de se tornarem sustentáveis no longo prazo. Ou seja, gerar receita suficiente para seus custos. Nenhum dos três investidores sinalizou que está botando dinheiro a fundo perdido. O mesmo valeria para o Red Bull Bragantino.

Além disso, esses quatro clubes pertencem à Libra onde já têm voz ativa. Qualquer regra passaria pelo crivo deles.

É preciso lembrar também que as regras de Fair Play não envolvem limitar gasto de times que geram receita real suficiente para seus custos. Não é um teto de gastos como ocorre em ligas americanas.

A discussão sobre o modelo de Fair Play, por enquanto, ocorre só dentro da Libra. A Liga Forte Futebol também tem um modelo de Fair Play nos seus planos, mas entende que essa discussão tem que ser feita no futuro.

“É uma segunda etapa. Não adianta você ir lá na frente e não acertar isso aqui (divisão de dinheiro)”, diz o presidente do Atlético-MG, Sergio Coelho, umas das lideranças do Forte Futebol. Ele entende que calendário, forma de disputa e Fair Play são assuntos para quando a Liga estiver formada. “É preciso ter um fair play financeiro. Cai nessa segunda etapa.”