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Sampaoli se joga no mercado brasileiro

Jorge Sampaoli – Foto: Divulgação

BLOG DO DANILO LAVIERI: Jorge Sampaoli deu uma entrevista muito interessante ontem (22) no Bem, Amigos, no Sportv. O argentino deu detalhes interessantes de sua visão de futebol, analisou o Brasileirão, principalmente Palmeiras e Flamengo, mas tentou esconder os seus piores defeitos que tanto o marcaram na passagem em Santos e Atlético-MG. Fato é que ele está abertíssimo a propostas do mercado por aqui, com residência no Rio de Janeiro e com dois filhos que o próprio disse que vão se tornar jogadores da seleção brasileira.

Foi bacana ver o argentino dar alguns detalhes técnicos e táticos do que considera o bom futebol. Explicou que gosta de ver sua equipe usando a largura do campo e não só a profundidade e que sempre se adapta ao adversário. Hoje em dia, alguns comandantes evitam falar sobre o tema abertamente. Com os treinos fechados, esse tipo de acesso fica ainda mais restrito à imprensa e, consequentemente, ao torcedor. E há aquelas vezes em que os treinadores são criticados por analisar o trabalho dos outros. Para mim, uma besteira.

Sampaoli disse que o Flamengo e o Palmeiras conseguiriam disputar o Campeonato Espanhol e o Francês. Elogiou a qualidade técnica do elenco rubro-negro, a organização do Alviverde e foi completamente contra os que dizem que Abel Ferreira só tem uma maneira de jogar. Até porque quem acha isso até hoje precisa rever seus conceitos.

Foi interessante também ver o argentino explicando como brigava tanto com Gerson, ex-flamenguista. Na visão dele, o meio-campista tem muito mais potencial do que jogar apenas fixo no meio-campo iniciando as jogadas e precisa ficar o mais próximo possível da área. Citou, inclusive, o uso dele na seleção brasileira por Tite de maneira crítica.

Sampaoli falou pouco quando o tema era a entrada das SAF por causa das dívidas gigantescas dos clubes brasileiros, mas tratou como se fosse algo normal que sempre pede muitos reforços quando chega em cada time. Claro que ele está no direito dele, mas se essa é uma condição, não há lugar nenhum em que se encaixe no Brasil, afinal clube nenhum tem dinheiro “saindo pelo ladrão”.

Não faz sentido, inclusive, ele ter criticado Paulo Sousa por não ter se adaptado ao estilo de jogo dos atletas do Flamengo e fingir que não pede um caminhão de reforços em cada lugar que chegue para que a equipe ganhe a sua cara.



Ele usou isso como parte da explicação para a negociação frustrada com o Palmeiras. Na cabeça dele, precisava de muito investimento para competir com o Flamengo. A sorte do Alviverde foi que as conversas não deram certo. Apesar de Vanderlei Luxemburgo ter sido contratado totalmente na contramão do que dizia a diretoria daquela época, ele aceitou as condições de poucas contratações e muito uso da base. O desgaste do multicampeão resultou na sua demissão e na chegada de Abel Ferreira, que em menos de dois anos se tornou o maior comandante da história do clube.

Por falar em desgaste, Sampaoli tentou tratar com bom humor as rusgas que acumula ao longo de sua passagem nos clubes. “Quero saber quem foi que falou isso”, disse ele aos risos. Tentou dizer que não é verdade que acumula problemas com atletas, mas esse é o relato principal de Santos e Atlético-MG. Há muito desgaste com atletas e funcionários por onde ele passa. Tanto é verdade que ele se complicou ao tentar explicar o motivo de excluir do dia a dia de trabalho nomes como Eder, no Galo, e Serginho Chulapa, no Peixe.

Problemas à parte, o argentino mostrou uma visão interessante de futebol, falou abertamente sobre tática, problemas e virtudes do futebol brasileiro e deu uma excelente entrevista. Como responsabilidade financeira não é algo muito na moda no Brasil, é bom que o torcedor se prepare para que em breve ele apareça em alguma equipe por aqui,