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Flamengo ainda precisa vender R$ 90 milhões em jogadores

Jogadores do Flamengo entrando em campo no Brasileirão – Foto: Paula Reis

BLOG DO RODRIGO MATTOS: Em seu balancete do meio de 2022, o Flamengo mostra que houve crescimento de receita e a dívida se manteve em patamares saudáveis. O clube ainda mantém R$ 130 milhões em caixa. Ainda assim, o diagnóstico da própria agremiação carioca é de que precisa vender direitos econômicos de jogadores até o final do ano.

Os números mostram receita de R$ 437 milhões durante esta temporada. Em 2021, o valor foi de R$ 365 milhões. O aumento ocorreu por conta de contratos de publicidade, royalties e da volta da renda de bilheteria e de estádio, com a volta do público.

Entre outros itens, o Flamengo teve um novo contrato com a Adidas, novos patrocínios da Pixbet e da Socios, que incrementaram a renda. No total, obteve cerca de R$ 40 milhões com bilheteria e rendas de estádio.

Em compensação, houve aumento dos custos esportivos. O valor foi de R$ 382 milhões neste primeiro semestre, em comparação com R$ 307 milhões na primeira metade de 2021. Neste aumento, há um extra de R$ 24 milhões de amortização de direitos de jogadores, que é meramente contábil, sem efeito de prático. Ainda assim, foram incrementados os custos do futebol com compra de jogadores e despesas de jogos, com público.

O clube fechou em déficit de R$ 20 milhões neste semestre. Isso era previsto porque o primeiro semestre tem receita menor do que o segundo. Dito isso, a dívida líquida fechou em R$ 466 milhões, em um patamar controlado para quem projeta receita de R$ 1 bilhão. O débito bancário, por exemplo, caiu.

Por que então o clube precisa vender jogadores? Bem, há uma diferença entre os valores a pagar e a receber por transferências de atletas, já que todas as vendas são parceladas. Esse gap é de R$ 73 milhões pelos números. O clube tem direito a receita de R$ 99,3 milhões por jogador, enquanto deve pagar R$ 172 milhões.

“Tal amplitude de valores indica que é necessário manter o ciclo de vendas ativo, aproveitando as oportunidades do mercado, dado que existem ainda valores de compras de jogadores a liquidar em 2022 e 2023. E que preferencialmente precisam ser adimplimos com recursos das operações do clube, especialmente num momento em que os financiamentos se tornaram mais caros no mercado em função das crises nacionais e internacional que vêm impactando a todos”, diz o balanço.

E essa diferença já aumentou em julho, pois o Flamengo fechou a compra de Everton Cebolinha por 13,5 milhões de euros (R$ 71 milhões. Ainda trouxe o lateral uruguaio Guillermo Varela e o volante chileno Erick Pulgar. Anteriormente, já tinha gasto cerca de R$ 78 milhões com Santos, Marinho, Pablo, Thiago Maia e Fabrício Bruno. Ou seja, ultrapassou o patamar de 16 milhões de euros de contratações previstos no orçamento.

Para compensar, justamente, é preciso fazer vendas que reduzam a diferença entre o que se tem para receber o que se tem para pagar. E atingir o orçamento que prevê a venda de R$ 178 milhões em jogadores no ano. A renda obtida até o meio do ano foi de R$ 65,6 milhões. Depois do meio do ano, Arão e Gustavo Henrique já foram negociados, o que deve acrescentar mais R$ 20 milhões às operações de 2022.

A necessidade de equilibrar vendas e compras pode ser vista por operações do primeiro semestre. O clube pagou parcelas de Gabigol e Pedro no valor de quase R$ 50 milhões no total. Mas recebeu valores similares pela venda de Gerson. É justamente essa a estratégia do Flamengo para se manter no mercado sem precisar de empréstimo.