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Flamengo terá que ser ‘cirúrgico’ na Arena da Baixada

Pedro em Flamengo x Athletico-PR – Foto: Marcelo Cortes

BLOG DO ANDRÉ ROCHA: Aconteceu de novo. Assim como foi com Domènec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho e Paulo Sousa, o Flamengo de Dorival Júnior desperdiçou chances e saiu sem a vitória em uma partida na qual poderia até ter goleado.

Nenhuma bola nas redes. Zero. Em um universo de 22 finalizações. Seis no alvo, bolas nas traves de Pedro e Gabigol, que ainda teve um gol certo salvo sobre a linha.

Encurralou no Maracanã novamente cheio e quente um Athletico acovardado e mal armado a ponto de permitir tantas chances, mesmo com linha de cinco atrás e Cuello e Terans tentando criar algo em contragolpes bem interceptados por um adversário quase sempre preciso no perde-pressiona.

E que também surpreendeu atacando mais pela esquerda, com Filipe Luís encontrando vários parceiros para combinar, até Gabigol e Everton Ribeiro, canhotos que procuram mais o lado oposto, apareceram no setor e dificultaram a marcação que esperava o Fla novamente “torto” à direita, com Rodinei voando pelo corredor aberto.

O fato é que o Flamengo atacou por todos os lados e de todas as formas. Mas se o domínio absoluto, incluindo 74% de posse, não resulta em vantagem, o oponente segue vivo no jogo e no confronto. O time de Scolari, inclusive, poderia ter saído com a vitória, se aproveitasse as chances nos últimos minutos, com o time da casa desgastado e desorganizado. Com Everton Cebolinha e Vidal ainda tentando se entrosar com os novos companheiros em um jogo decisivo.

A péssima arbitragem comandada pelo fraquíssimo Luiz Flávio de Oliveira, incluindo o VAR, poderia ter castigado ainda mais o Flamengo para a volta, além do terceiro amarelo para Thiago Maia e o vermelho para David Luiz, se tivesse expulsado Gabigol, de novo infantil ao chutar Fernandinho na frente do apitador, que afinou e só deu amarelo para o camisa nove.

Também De Arrascaeta, que entrou por trás e correu risco de quebrar a perna do adversário. Mas poderia igualmente ter marcado o pênalti claro sobre Léo Pereira, com Fernandinho quase tirando a camisa do zagueiro na área visitante.

Na Arena da Baixada, o cenário será hostil para o Fla. Torcida pressionando, grama sintética privilegiando o jogo mais rápido e de disputas físicas e Felipão, provavelmente, usando um recurso tradicional das suas equipes em mata-mata: “blitz” inicial, com uma ou duas jogadas ensaiadas em bola parada para tentar abrir logo o placar e poder jogar como gosta: recuado e acelerando as transições ofensivas.

Caberá ao Flamengo – provavelmente com Fabricio Bruno na zaga e Vidal no meio, já que a diretoria foi vagarosa nas contratações e não conseguiu fechar as negociações e inscrever os novos atletas, incluindo um volante, a tempo – contrariar sua “natureza”, ou uma característica marcante desse elenco: precisa criar e finalizar muito para ir às redes.

A menos quando encara um fraco Tolima tentando jogar de igual para igual no Maracanã ou uma “galinha morta” como o Juventude no Mané Garrincha. Tem que ser muito fácil para golear e, ainda assim, as chances perdidas são recorrentes.

Daqui a três semanas, o time de Dorival terá que ser cirúrgico, preciso. Porque provavelmente não criará tantas oportunidades em Curitiba. No Maracanã, trabalhou para encaminhar a vaga para a semifinal da Copa do Brasil, mas falhou miseravelmente no objetivo principal deste esporte. De novo. E não há técnico que resolva um problema que vem negando triunfos e taças aos rubro-negros cariocas.