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Flamengo precisa deixar de ser otário e abandonar o Maracanã


Maracanã vermelho – Foto: Alexandre Vidal

BLOG DO RENATO MAURÍCIO PRADO: A decisão da Justiça, obrigando o consórcio do Maracanã a aceitar a realização do jogo do Vasco contra o Sport, no próximo dia 3 de julho, dia seguinte ao da partida do Fluminense com o Corinthians, no estádio, e a apenas dois dias do segundo confronto do Flamengo contra o Tolima, pela Libertadores, no mesmo local, é um disparate esportivo e uma demagogia política vergonhosa, que deveria ser a gota d’água para que o rubro-negro partisse de vez para a construção de sua própria arena.

Em que condições estará o gramado do Maraca, após dois jogos em dias seguidos e a apenas outros dois da realização da terceira partida? Não custa lembrar, o atual estado da grama híbrida, recém-replantada para o inverno, já não é grande coisa e o escorregão que causou a gravíssima contusão de Bruno Henrique, diante do Cuiabá, no último dia 15, é prova disso.

Como concessionário do estádio, o Flamengo investiu R$ 4 milhões, no início do ano, para a colocação de um gramado híbrido. Recentemente, por conta de um replantio de grama de inverno, foi preciso outra paralisação, de 11 dias. E, mesmo assim, apenas com os jogos da dupla Fla-Flu e, recentemente, de um aluguel do Vasco, a situação já não é boa. Imagine como vai estar quando o Flamengo decidirá sua sorte, nas oitavas de final da Libertadores, diante do Tolima.

Vem aí nova licitação para administrar o estádio (que é um bem público, do Estado do Rio de Janeiro) e, segundo o que se tem apurado nos bastidores, tudo está sendo armado de tal forma que seja obrigatório o Vasco se juntar ao Flamengo e ao Fluminense, como concessionário.

Detalhe: cada um teria a obrigatoriedade de fazer, no mínimo, 70 jogos por temporada, no Estádio Mário Filho. Não há gramado natural, híbrido ou mesmo artificial que resista. É uma estupidez gigantesca.

Qualquer um que conheça, minimamente, o “negócio Maracanã” sabe que sem a presença da torcida do Flamengo, o estádio quebra, se torna inviável economicamente. Pois que o rubro-negro aprenda, então, a usar isso a seu favor, ou o abandone à própria sorte para, em pouco tempo, se tornar o Coliseu carioca.

Com um faturamento de R$ 1 bilhão/ano e sonhos de se tornar superpotência, o Flamengo precisa ter a própria arena. Essa balela, tantas vezes repetida, de que o Maracanã é o estádio do Flamengo, não cola mais. Continua (e continuará a ser eternamente) um bem público, sujeito a todo tipo de armação e jogada dos políticos e dos juízes interessados em agradar A ou B.

Incompetente no trato do futebol (Jorge Jesus foi a exceção que confirma a regra da ignorância futebolística da atual diretoria), o presidente Rodolfo Landim, empresário tantas vezes bem-sucedido no mercado, poderia salvar sua administração com esse legado tão valioso quanto necessário.

Está mais do que na hora de partir para a construção da Arena do Flamengo. E que se deixe o outrora Maior e Mais Lindo Estádio do Mundo (algo que já nem é mais, tantas e tão absurdas foram as suas reformas, todas superfaturadas, claro) para as peladas de políticos e juízes, pois Vasco e Fluminense, sozinhos, não terão a menor condição de torná-lo viável.

Exemplo paulista

O que aconteceu com o Pacaembu, depois que Corinthians e Palmeiras passaram a ter modernas arenas?