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Análise Tática Flamengo 3 x 0 Universidad Católica: Grande atuação, que pese o fraco adversário

(Foto: Reprodução/Alexandre Vidal/Flamengo)

O Flamengo venceu o Universidad Católica por 3 a 0, nesta terça-feira (17/05), no Maracanã, pela 5ª rodada da Libertadores. Com a vitória, o Mais Querido garantiu a classificação antecipada para as oitavas de final da competição. O jogo também foi importante para aliviar um pouco a pressão em cima do técnico Paulo Sousa e ajustar alguns fatores do time.

Para a partida, o Flamengo teve oito desfalques: Santos, Diego Alves, David Luiz, Gustavo Henrique, Fabrício Bruno, Filipe Luís, Matheus França e Vitinho. Sem quatro jogadores do sistema defensivo, Paulo Sousa manteve o sistema dos últimos jogos, saindo do 3-4-2-1 para o 4-2-3-1. Dessa forma, a saída de bola foi feita por dois zagueiros, ao invés de três, com dois laterais auxiliando, não mais alas.

A dupla de zaga, então, foi formada por Pablo pela direita e Rodrigo Caio na esquerda. Ambos tiveram uma atuação muito segura, tanto na marcação, como com a bola. Já nas laterais, juventude. Se antes a equipe atuava muitas vezes com Isla, 33 anos, e Filipe Luís, 36, contra a Universidad Católica o Mais Querido jogou com Matheuzinho, de 21, e Ayrton Lucas, 24.

O lateral-esquerdo, inclusive, foi quem mais mudou a característica da equipe. Isso porque, mesmo com a idade mais avançada, Isla tem como característica a velocidade e avanço pelo corredor, similar ao Matheuzinho. Já Ayrton Lucas é bem diferente de Filipe Luís. O veterano é um jogador que cadencia mais o jogo, ficando ao lado dos zagueiros para auxiliar a saída de bola, tendo ótimo aproveitamento nos passes e construindo por dentro. Já Al é veloz e vai constantemente à linha de fundo.

Os volantes da partida foram Willian Arão e Andreas Pereira. O primeiro ficava mais atrás, em frente à linha de zaga, enquanto o segundo avançava mais, se aproximando da área ofensiva. Na frente deles, Everton Ribeiro jogou pela meia-direita, enquanto Bruno Henrique atuou na esquerda. Ambos centralizavam constantemente, com ER tendo liberdade para construir por dentro e BH pisando na área. Assim, eles deixavam o corredor aberto para os laterais avançarem.

Já Arrascaeta atuou como meia-armador, centralizado, mas solto para cair pelos dois lados do campo e pisar na área. Já Gabigol ficou como referência, só que também se movimentando bastante, seja recuando para receber a bola, ou explorando os buracos da frágil defesa adversária para receber o passe em infiltração.

O jogo

O 1º tempo foi muito bom do Flamengo. Equipe jogou com intensidade, marcou em cima e se movimentou bastante. Logo aos 4 minutos, um exemplo dessa movimentação. Everton Ribeiro recebeu passe no meio de campo, pela direita, bem recuado. Ele cortou para dentro, em frente à zaga, na posição do primeiro volante. Arão, por sua vez, avançou pela direita. O camisa 7, entretanto, deu um lindo lançamento para a infiltração de Gabigol, na velocidade, explorando a linha alta adversária. O atacante ficou na cara do goleiro, mas perdeu o gol.

Aos 6, o primeiro gol. Arrascaeta bateu escanteio na marca do pênalti. O adversário fez marcação individual, os jogadores do Flamengo se movimentaram e Arão ficou livre para cabecear no cantinho e abrir o placar. Seis minutos depois, quase o segundo. Aproveitando o corredor, Ayrton Lucas infiltrou na velocidade, entrou na área e foi derrubado, em pênalti claro. O juiz não marcou, a zaga afastou mal e a bola ficou no pé de Bruno Henrique, dentro da área, que bateu de primeira, por cima.

Gabigol participou de alguns perigo em sequência. No primeiro, aos 25, Arrascaeta passou para o atacante na meia-lua, que dominou e chutou, mas foi fraco e o goleiro fez a defesa. No minuto seguinte, Andreas Pereira conduziu a bola em velocidade pela direita, passou para o jogador no mesmo local da jogada anterior e infiltrou na área. Gabi, dessa vez, deu belo toque de volta para o belga-brasileiro, que chutou na pequena área pela direita, mas o goleiro fez bela defesa.

Depois, aos 31, Gabigol recebeu mais afastado, na intermediária, pela direita. Bruno Henrique, por sua vez, viu o buraco deixado pelo camisa 9 e infiltrou na área. O camisa 9 deu cruzamento na medida e BH cabeceou, tirando tinta do travessão. No minuto seguinte, Gabi estava pela direita e passou atrás para Arrascaeta, que limpou a marcação e chutou na meia-lua. A bola tinha endereço, mas o zagueiro afastou de cabeça. Já aos 38, o gol.

Willian Arão passou para Arrasca centralizado, na meia-lua. O uruguaio abriu para Matheuzinho, próximo da área pela direita. O lateral tinha Gabigol próximo dele e Everton Ribeiro infiltrando, mas cruzou na segunda trave, na medida, para Bruno Henrique. BH cabeceou para o meio, justamente para ER7, que, de peixinho, mandou para o fundo das redes. Caso ele não marcasse, Arrascaeta, que também infiltrou, estava lá para garantir o gol.

Nos dez minutos finais do primeiro tempo, Paulo Sousa fez uma inversão. Colocou Bruno Henrique aberto na direita, com Everton Ribeiro centralizado e Arrascaeta na esquerda. O objetivo era aproveitar a fragilidade defensiva do Universidad Católica pelo setor. Deu certo. Aos 44, Bruno Henrique recebeu passe em velocidade pela direita, avançou e cruzou rasteiro para Gabigol, livre na marca do pênalti. O centroavante, entretanto, não bateu de primeira. Ele dominou, perdeu tempo e acabou chutando com a direita, parando no goleiro.

Segundo tempo

O Mais Querido voltou com a mesma equipe que iniciou o jogo para o segundo tempo. Entretanto, os primeiros 12 minutos foram de um ritmo bem mais baixo. Com a vitória praticamente garantida, o time não estava marcando e nem atacando com a mesma intensidade. Aos 13, veio a primeira grande chance. Rodrigo Caio deu lindo lançamento para Matheuzinho, sempre com liberdade para atacar pelo corredor. O lateral infiltrou na área e cruzou rasteiro para Gabigol, livre, mas acabou sendo um pouco forte e o centroavante não conseguiu tocar na bola.

Aos 19, outra boa jogada. Arrascaeta recebeu pela direita, passou para Gabigol na entrada da área e infiltrou. Gabi deu lindo passe para infiltração do uruguaio, que ficou de frente para o goleiro pela direita. O jogador tinha também a opção de cruzar para Bruno Henrique na segunda trave, mas acabou demorando para tomar uma decisão e desperdiçou a oportunidade.

Paulo Sousa fez três mudanças aos 24. Para dar mais intensidade ao time e poupar alguns jogadores, o treinador tirou Matheuzinho, Bruno Henrique e Gabigol, para colocar Rodinei, Lázaro e Pedro. A formação permaneceu a mesma, no 4-2-3-1, com os jogadores fazendo as mesmas funções dos que saíram. A diferença é que, com Pedro, o Flamengo passou a ter um centroavante mais de referência, que faz o pivô na área.

Logo aos 29, a primeira grande chance envolvendo os reservas. Lázaro recebeu na direita, passou para Pedro dentro da área, que devolveu de calcanhar para o jovem finalizar com força, parando em um zagueiro. Aos 32, Paulo Sousa tirou Andreas Pereira para colocar João gomes. Seis minutos depois, o jovem pressionou a saída do Universidad Católica pela direita, que deu um chutão ruim. Everton Ribeiro antecipou e passou para Arrascaeta centralizado, dentro da área. O uruguaio tinha Pedro e Lázaro de opções para passe, mas tentou o chute e perdeu.

Em seguida, o técnico tirou Arrascaeta para colocar o jovem Victor Hugo, como meia-armador. Aos 40, uma grande oportunidade. Ayrton Lucas pegou a bola no campo de defesa, passou para Lázaro, que devolveu ao lateral. O jogador avançou com muita velocidade pelo corredor, até chegar próximo da linha de fundo. VH infiltrou na área, puxando a marcação e AL cruzou rasteiro para trás, nos pés de Everton Ribeiro. O camisa 7 até poderia finalizar, mas deu belo passe para Pedro, que chutou livre, parando no goleiro.

Então, aos 44, o último gol. Lázaro deu passe em elevação para Pedro infiltrar na área, pela esquerda. Victor Hugo fez o facão por dentro, puxando parte da marcação e João Gomes apareceu na entrada da área, como ótima opção de passe, atraindo a atenção dos defensores do centroavante. O atacante, então, fingiu que tocaria para o volante, deu lindo corte na zaga e finalizou com força, de canhota, marcando um golaço.

A partida terminou com um tranquilo 3 a 0 para o Flamengo. O resultado, inclusive, poderia ser ainda maior. Time teve uma atuação bem dominante e parece mais “solto” na nova formação. A fragilidade do adversário, claro, tem que ser levada em conta, pois o Universidad Católica vive péssimo momento. Ainda assim, foi uma atuação importante para o Mais Querido, garantindo a classificação e aliviando a forte pressão em cima do time e do técnico.

Fonte: Diário do Fla