Análise Tática Flamengo 3 x 3 Oeste-SP: Antes e depois das entradas dos titulares

(/Gilvan de Souza/Flamengo)

Se a forma que os anos são contados é marcada por “Antes de Cristo” e “Depois de Cristo”, a atuação do Flamengo contra o Oeste pode ser classificada como “Antes das entradas dos titulares” e “Depois das entradas dos titulares”. Isso porque, com a equipe carioca já classificada para a próxima fase, a comissão técnica optou por botar um time formado por jogadores de linha que nunca tinham iniciado uma partida de Copinha. O resultado foi um primeiro tempo horrível, indo para o intervalo perdendo por 3 a 0. Entretanto, na segunda etapa, após os atletas principais entrarem, o Mais Querido conseguiu o empate em 3 a 3.

Dos onze iniciais, apenas o goleiro Bruno tinha começado as duas partidas anteriores da Copinha. Isso porque, sete jogadores, além do técnico Fábio Matias, retornaram ao Rio de Janeiro para a disputa do Campeonato Carioca profissional. Já os outros três de linha foram poupados pela comissão técnica, pois a partir de agora terão jogos dia sim, dia não na competição. Naturalmente, a equipe mostrou uma falta de entrosamento. Além disso, por serem muito jovens, enfrentando um time com elenco mais velho, alguns jogadores nitidamente sentiram a pressão após sofrerem o primeiro gol e, com o Flamengo “nocauteado”, o Oeste aproveitou para fazer 3 a 0 com 16 minutos.

O time entrou em campo no 4-2-2-2, que variava para o 4-1-3-2. Na primeira linha, o lateral-direito Breno tentava construir por dentro, enquanto Richard ficava bem aberto na esquerda. A saída de bola era feita pelos zagueiros João Victor e Otavio, enquanto o primeiro volante Lucas André se aproximava para auxiliar. Victor Hugo, por sua vez, era o segundo homem de meio campo, que tentou avançar várias vezes. Petterson ficou aberto na ponta-direita, enquanto Pedro Arthur mais na esquerda, centralizando. Na frente, Pedrinho se movimentava e buscava jogo, enquanto Mateusão era a referência.

O problema é que o time não estava em uma noite boa tecnicamente. A equipe sentiu bastante o gol sofrido logo aos 5 minutos, em jogada de contra-ataque. Os zagueiros estavam batendo cabeça na defesa e mal na saída de bola, enquanto Lucas André estava péssimo na saída de bola, errando vários passes. O próprio goleiro Bruno mostrou insegurança com os pés e o segundo gol do Oeste é oriundo de um chutão errado dele. Já na frente a equipe tentava resolver, mas sem conseguir caprichar no passe final. Foi para o intervalo sem criar nenhuma grande chance, enquanto o adversário poderia ter feito até mais.

Então, veio o segundo tempo. Luiz Felipe tira João Victor, Lucas André e Pedrinho, para colocar os três titulares que estavam no banco: o zagueiro Kayque Soares, o primeiro volante Igor Jesus e o segundo volante/meia Kayke David. A formação tática continua a mesma, com algumas diferenças de peças. Petterson foi para ponta esquerda, enquanto Pedro Arthur caiu para a direita. Já Victor Hugo saiu da função mais recuada e virou uma espécie de segundo atacante, ao lado de Mateusão, com Kayke David sendo o segundo volante equipe.

Deu totalmente certo. Kayque Soares e Igor Jesus deram uma solidez para o sistema defensivo, tanto na marcação, como na saída de bola, acertando os passes curtos e longos com tranquilidade. Já Kayke David passou a ser o grande maestro da equipe. Se movimentando bastante, “escondendo” a bola e dando os passes, o jogador ditou o ritmo do Flamengo. Aos 9 minutos, as mudanças mostraram a cara no setor ofensivo. Kayke recebeu a intermediária, viu a infiltração de Victor Hugo na área pelo meio e deu lindo lançamento. O jogador dominou de frente para o goleiro e, com muita frieza, descontou.

O Flamengo fez o segundo pouco depois, aos 13, após escanteio cobrado por Kayke David, desvio de Otavio e Mateusão marcar com as costas, em um lance sem querer. Então, aos 17, uma excelente oportunidade desperdiçada. Petterson recebeu de Richard na esquerda e fez grande jogada individual, passando pela marcação e entrando na área. O ponta tentou o cruzamento rasteiro para Pedro Arthur, que fechava na segunda trave, mas o goleiro desviou e a bola ficou nos pés de Victor Hugo, quase na pequena área. Só que, mesmo com o gol aberto, o meia-atacante acabou pegando mal e isolando.

Depois desse lance, o jogo deu uma esfriada. O Oeste conseguiu se recompor e abaixou totalmente as linhas, fazendo o famoso “ônibus” em frente à área para não deixar o Flamengo entrar. A equipe paulista nem tentava mais atacar, só se defender. O Mais Querido tentava achar um espaço e rodava a bola, mas sem sucesso. Luiz Felipe, aos 31, trocou o lateral-direito Breno por Samuel e o meia-direita Pedro Arthur por Carlos Daniel. Então, aos 39, tirou Petterson e colocou o centroavante Cassiano no lugar. Assim recuou Victor Hugo para a meia-direita, abrindo Carlos Daniel na esquerda e deixou Cassiano ao lado de Mateusão.

A equipe rubro-negra continuava rodando a bola. Então, aos 45, Kayque Soares passou para Otávio, que abriu o jogo em Richard na ponta. O lateral passou curto para Carlos Daniel. Cassiano foi para a entrada da área servir como opção de passe e o jogador tocou forte nele. O centroavante, inteligentemente, serviu Richard de primeira, rápido, e infiltrou. O lateral dominou, viu o avanço do jogador e cruzou na medida para o centroavante, que de carrinho fez o gol do empate.

A partida, então, teve duas caras. A do primeiro tempo, de um time que não conseguia sair jogando e criar chances de perigo, e a do segundo, uma equipe que amassou o adversário, não sofreu na defesa e teve paciência para girar a bola até achar a melhor solução. Essa mudança de patamar se deu pelas entradas dos jogadores titulares que estavam poupados. Agora, o próximo confronto do Flamengo já é no mata-mata, ou seja, não terão mais atletas poupados. Assim, a tendência é que a torcida veja mais o time da segunda etapa na competição.

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