O que o Flamengo pode conseguir com Renato Gaúcho

O estilo intenso, vertical, de marcação alta, perde-e-recupera a bola, está na mente e na corrente sanguínea desse time.

Técnico Renato Gaúcho, do Flamengo – Foto: Alexandre Vidal

ENTRE AS CANETAS: Conheço muitos rubro-negros para quem o Flamengo, com o elenco que tem do meio-campo para a frente, nem precisaria de treinador. Para esses exagerados, os sucessores de Jorge Jesus atrapalharam porque tiraram o prazer dos craques e a alegria do vestiário. Avaliação muito equivocada, óbvio. Mas hoje também está óbvio que Domenec Torrent e Rogério Ceni também avaliaram mal ao tentar mudar o que Jesus construíra tão solidamente. O estilo intenso, agudo, vertical, marcação alta, perde-e-recupera a bola, mantido durante 90 minutos independentemente do placar, está na mente e na corrente sanguínea desse time, por mais que nele já não mais estejam Rafinha, Pablo Mari e Gérson. O que o Flamengo precisava era de alguém que não inventasse muito e, principalmente, fizesse os jogadores recuperarem a alegria de 2019. E, nessa linha, Renato Gaúcho é perfeito.

Renato e quem gosta de história têm no Flamengo um bom exemplo de que em alguns casos quanto menos se muda, melhor. Os tempos eram outros, o futebol era outro. Mas o grande Flamengo que chegou ao topo do mundo em 1981 começou a ser montado em 1977 por Cláudio Coutinho, que deixou o clube no fim de 1980. No ano seguinte, Paulo Cesar Carpegiani fez uma ou outra troca de nomes (como Lico no posto de Baroninho) mas manteve o estilo e foi campeão do mundo e bi brasileiro. Em 1983, ainda com Zico, o capita Carlos Alberto sofreu com as perdas de Tita, Nunes e Lico, mas manteve o estilo e Raul, Leandro, Mozer, Junior, Andrade, Adílio e o Galo ainda conseguiram mais um Brasileiro. Assim, praticamente ninguém lembra de Dino Sani, sucessor imediato de Coutinho no início de 81, que queria tornar o Flamengo um time marcador, com Adílio na reserva, e logo caiu.

Em seus dois primeiros jogos no Flamengo, Renato não levou gols – e com Ceni era raro um jogo em que o time não fosse vazado. Repete o treinador o caminho do Grêmio, quando sua primeira ação concreta foi arrumar a zaga, vulnerável nas bolas aéreas com seu antecessor, Roger Machado. Depois, foi só soltar o time, mandá-lo ao ataque comandado pelo então brilhante Cebolinha, e o Grêmio chegou à decisão do Mundial contra o Real Madrid.

Minha confiança em que a fórmula para o Flamengo voltar a ser favorito no Brasileiro, na Libertadores e na Copa do Brasil é a que descrevi acima não significa que Renato Gaúcho já a segue ou mesmo que vai mantê-la e ter sucesso. Isso o tempo dirá. Mas é inegável que Renato sabe fazer isso, é talvez o profissional mais talhado para esse tipo de missão. Michael melhorou, Gabigol voltou ao time como se estivesse em 2019, Isla jogou como nunca contra o Bahia, Everton Ribeiro jogou o futebol que o levou à Seleção. Falta Bruno Henrique. Se ele voltar a jogar 100% do que pode, segura o Flamengo, amigo…

Ah: e se Renato Gaúcho ensinar Léo Pereira a se colocar corretamente na zaga e torná-lo útil e produtivo ao Flamengo, então eu passarei a assinar embaixo da tese de que ele é treinador com T maiúsculo. Quase um mágico.

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