BTG monta projeto milionário para internacionalização da Marca Flamengo

Os planos devem incluir investimentos em clubes no exterior, uma estratégia adotada por clubes como o Manchester City.

Torcedor do Flamengo em Las Vegas – Foto: Divulgação

PIPELINE: Uma vez Flamengo, sempre Flamengo. Atual bicampeão brasileiro e clube mais popular do país, o rubro-negro carioca quer tirar do papel o projeto de internacionalização, um plano que pode ajudar a trazer receitas em moeda forte para tentar driblar a sina de perder craques para a Europa.

Mesmo sendo o clube mais rico do Brasil e referência quando o assunto é reorganização financeira — um problema crônico do futebol nacional —, o Flamengo não conseguiu segurar o volante Gérson, vendido a um clube francês que não ganha a liga nacional há mais de 10 anos. O atleta foi parar no Olympique de Marseille por 25 milhões de euros (o equivalente a R$ 153 milhões). No ano passado, o clube teve um déficit de R$ 106 milhões, reflexo do fechamento dos estádios – não à toa, é um dos mais engajados na reabertura e vai mandar o jogo hoje no Distrito Federal, onde o governo aceitou receber torcedores.

O Flamengo vai partir agora para um desenho típico de clubes estrangeiros, que conseguem alavancar sua marca no exterior. Para a internacionalização, o Flamengo terá um empurrão profissional do BTG Pactual. Em sociedade com Cláudio Pracownik, executivo do mercado financeiro que já passou por Brasil Plural e Genial e que até junho presidia a comissão de finanças do clube, o banco de André Esteves criou a Win the Game, companhia que vai atuar na oferta de produtos financeiros e assessoria para fusões e aquisições de direitos de transmissão na área esportiva.

A Win the Game vai muito além do Flamengo, mas um dos primeiros projetos é justamente a internacionalização do clube. A ideia inicial é captar de US$ 50 milhões a US$ 100 milhões para criar um holding de investimentos ligada ao projeto do rubro-negro, informou o Valor.

Os planos devem incluir investimentos em clubes no exterior, uma estratégia adotada por clubes como o Manchester City — a companhia que controla o gigante inglês levantou recentemente US$ 650 milhões para amplia sua rede de clubes pelo mundo, revelou o Financial Times.

No Brasil, o Flamengo vem ampliando as iniciativas com aproximação ao mercado financeiro. Em parceria com o BRB, o clube carioca criou o Nação Fla, um banco digital que já passou de 1 milhão de correntistas.

Os movimentos do Flamengo ocorrem num momento de importantes mudanças na regulação do futebol brasileiro. Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou a criação do Sociedade Anônima do Futebol, uma medida que deve facilitar a transformação dos clubes em empresas de recuperação judicial dos times. O projeto agora só depende da sanção presidencial.

A Câmara também aprovou na semana passada a Lei do Mandante — que dá direito de transmissão de jogos de futebol para clube mandante —, um projeto que contou o forte estímulo de Rodolfo Landim. Neste caso, o projeto ainda precisa passar pelo Senado.

Coincidência ou não, a sociedade do BTG com Pracownik quer atuar na assessoria à compra e comercialização de direitos de transmissão. “A visão hegemônica de um grupo que detém todos os direitos de transmissão acabou no mundo inteiro, e a soma das partes é maior do que o todo na TV aberta”, defendeu o executivo.

Ao todo, o clube carioca faturou R$ 756 milhões em 2020. O endividamento líquido somava R$ 440 milhões, com a alavancagem em 2,6 vezes – acima do indicador de 1,4 vez em 2019, ano mágico do time de Jorge Jesus.

Esteves, que é torcedor fanático do Fluminense, comandou o Back to the Game e agora está decidido a vencê-lo.

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