Renato se preocupou apenas em garantir a vitória em sua estreia no Flamengo

Renato Gaúcho não pode ser julgado pela estreia. Apenas um treinamento, muito papo e importantes desfalques.

Michael e Renato Gaúcho no Flamengo
Michael e Renato Gaúcho no Flamengo – Foto: Alexandre Vidal

BLOG DO ANDRÉ ROCHA: O torcedor do Flamengo pediu nas redes sociais a saída de Rogério Ceni, entre outras coisas, pelo roteiro previsível de quase todos os jogos: domínio da posse de bola, time instalado no campo de ataque, pressão pós-perda, muitas finalizações… Depois cansaço, queda técnica com as substituições e algum sofrimento para administrar o resultado positivo.

Renato Gaúcho não pode ser julgado pela estreia. Apenas um treinamento, muito papo e importantes ausências, como Rodrigo Caio, Willian Arão, Diego Ribas e Bruno Henrique. Para enfrentar fora de casa o Defensa y Jusiticia, atual campeão da Recopa e da Copa Sul-Americana. Já com a responsabilidade de um mata-mata de Libertadores.

Mas pela primeira partida parece claro que Renato fará no Flamengo o que sempre fez em seus trabalhos: adaptação ao contexto. Foi curioso observar nos últimos dias algumas análises sobre “as ideias táticas de Renato”. Tomando como base os cinco anos de Grêmio, como se fosse um trabalho muito autoral.

Renato é treinador há mais de duas décadas. Nos últimos dez anos, comandou basicamente o Grêmio e o Fluminense, além da breve passagem pelo Athletico em 2011. Contou com elencos mais ou menos qualificados, jogou atacando ou defendendo de acordo com as circunstâncias. Suas marcas são a mobilização de vestiário, a valorização do elenco – como esquecer a frase que virou meme “eu confio no meu grupo”? – e a marcação por encaixe.

Ele assume o trabalho, analisa e vai ajustando. No Grêmio recebeu uma equipe de Roger Machado que tinha padrão, mas falhava nos detalhes. Aparou arestas, agregou com o carisma de ídolo máximo do clube e arrancou para grandes conquistas. Para depois mudar tantas vezes até o time que sobreviveu até a decisão da Copa do Brasil de 2020, com uma retranca feroz na semifinal contra o São Paulo de Fernando Diniz.

Não há filosofia ou conceito. É “camaleão” mesmo. Mas como algumas mudanças são simples, já foi possível percebe-las na primeira partida. Saída de bola com Filipe Luís aberto como lateral, um 4-2-3-1 bem definido e marcação por encaixe com bola rolando e individual nas faltas laterais e escanteios.

Foi o suficiente para virar do avesso o outrora Flamengo dominante. Foram apenas 45% de posse, 79% de efetividade nos passes. Cinco finalizações, quatro no alvo. Contra 14 do Defensa, sete na direção da meta de Diego Alves que foi o melhor em campo, com pelo menos três intervenções importantes.

O time de Sebastián Beccacece teve méritos no domínio da partida, com variações táticas e muita organização para atacar. Faltou, porém, a efetividade na frente para transformar em gols as chances criadas. Também um pouco da sorte que sobrou no gol da vitória rubro-negra. A jogada que Michael tenta em todos os jogos, cortando da esquerda para dentro e finalizando, contou com um desvio no zagueiro Frías que surpreendeu o goleiro Unsain.

Depois foi sufoco, com saída de bola descoordenada, De Arrascaeta e Everton Ribeiro encaixotados e Gabigol isolado e limitado a apenas duas oportunidades em contragolpes. Sem contar o “ferrolho” nos últimos minutos, com três zagueiros e mais Piris da Motta na proteção. Nada disso abordado por Renato na coletiva pós-jogo, apenas a óbvia valorização da vitória e a esperada falsa dicotomia “perder jogando bem x vencer jogando mal”.

Não deveria ser surpresa. Queriam uma equipe menos previsível, certo? Pois o Flamengo de Renato proporcionou sustos e temores em Florencio Varela. Como não se via desde os tempos de Abel Braga, treinador com perfil semelhante ao de Renato. Mas entregou a vitória e boa vantagem para a volta. Será o suficiente?

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