Supertime esconde escassez do elenco do Flamengo, que precisa de reforços

Uma urgência antiga, datada de 2019, é dispor de reservas para Arrascaeta e Everton Ribeiro.

Marcos Braz ao lado da comissão técnica de Ceni e de jogadores campeão Brasileiro pelo Flamengo – Foto: Alexandre Vidal

O GLOBO: João Pedro Fonseca

Quando o apito de Rodolpho Toski Marques soou pela última vez na Arena Pantanal, na quinta-feira, apenas três titulares do Flamengo estavam em campo — todos na linha defensiva (Willian Arão, Rodrigo Caio e Filipe Luís). A esta altura, embora os gols de Pedro e Thiago Maia tivessem garantido a vitória, uma fragilidade ficou escancarada: o supertime titular, agora desfalcado por convocações para a Copa América, esconde um elenco limitado em opções e cujas carências estão evidentes. Fosse o Cuiabá um adversário mais forte, o time de Rogério Ceni teria deixado três ou dois pontos pelo caminho em um preocupante segundo tempo.

Os recentes movimentos do rubro-negro no mercado, aliados às quedas de rendimento na reta final dos jogos, indicam onde é preciso investir. Uma urgência antiga, datada de 2019, é dispor de reservas para Arrascaeta e Everton Ribeiro. Reinier, que não tinha as mesmas características, tapou este buraco na era Jorge Jesus; com Ceni, na temporada passada, Pepê teve muitos minutos em campo por conta desta necessidade; agora, cabe a Vitinho desempenhar o papel, mas faltam-lhe as características e a regularidade.

O interesse em Renato Augusto, potencialmente de saída do chinês Beijing Guoan, indica uma solução dupla: ele pode ser este armador e também o segundo homem de meio-campo, função exercida por Gerson até o mês passado. João Gomes, titular contra o Cuiabá, já é um bom jogador, mas é natural que, pela idade, oscile. Thiago Maia, por sua vez, também por características mas talvez por necessidade, pode acabar sendo aproveitado mais vezes como volante. Diego Ribas sofreu uma entorse na Arena Pantanal e, mesmo que o problema seja contornado, não poderá dar conta do calendário caótico aos 36 anos.

Thiago Mendes, hoje no Lyon, é outro nome com capacidade de exercer diferentes papéis no meio, o principal deles como substituto de Gerson.

Também falta ao elenco rubro-negro um atacante de velocidade, principalmente que ofereça amplitude, visto que Bruno Henrique rende melhor quando atua mais próximo da área. Michael, a opção de que Ceni dispõe, até se esforça, mas não tem condições de manter o patamar do titular. Kenedy, que pertence ao Chelsea e recorreu às instalações do Ninho do Urubu para se recuperar de lesão, entrou no radar. É uma aposta, pelo pouco que desempenhou na Europa, mas o Flamengo se deu bem recentemente ao confiar em jogadores nessa situação, como Gabigol e Gerson. Se não for possível chegar a um acordo com os ingleses, será preciso vasculhar o mercado.

Há ainda um rumor que envolve David Luiz, zagueiro também especulado em clubes europeus. O torcedor poderá apontar que a evolução defensiva das últimas partidas, motivada pelo crescimento de Arão e pelo retorno de Rodrigo Caio, tornam dispensável um novo investimento para a posição. Mas é preciso lembrar-se de que a dupla não poderá atuar em todas as partidas até o fim do ano. E que os reservas — Gustavo Henrique menos, Bruno Viana e Léo Pereira mais — ainda devem muito. A chegada de David Luiz ou de um zagueiro confiável também permitiria que Arão revezasse com Diego como primeiro volante, dispensando, assim, a contratação de uma das peças para o meio.

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