Apesar de crítica de Ceni, Lázaro teve aumento de 50% em ações de alta intensidade

Os números rebatem o argumento de Rogério Ceni de que o jovem não teria oportunidade no time de cima por conta de falta de intensidade.

Lázaro treinando no Flamengo – Foto: Alexandre Vidal

GLOBO ESPORTE: Rogério deu o recado: “O que ele precisa para jogar no profissional é de intensidade”. E Lázaro deu a resposta dentro de campo. Os números mostram que o meia-atacante melhorou sua performance e não estamos falando somente de gols e assistências. Depois de um trabalho específico com a comissão técnica do Sub-20, o herói do último título mundial Sub-17 do Brasil corre mais em campo, tem mais velocidade e mais resistência.

Apontado como a joia da vez na linhagem que teve recentemente Paquetá, Vini Jr e Reinier, Lázaro teve pouquíssimas oportunidades entre os profissionais. Para ser preciso, foram oito partidas, só uma titular e apenas 219 minutos. Aproveitamento inversamente proporcional ao das categorias de base, onde tem em 2021 cinco partidas, cinco gols e três assistências.

Lázaro após trabalho especial
5 jogos
5 gols
3 assistências
Pico de 710m em alta intensidade

Como dito no início do texto, Rogério Ceni justifica as poucas chances a um problema de intensidade. Pois bem, a comissão técnica do sub-20 tirou o jovem de 19 anos para fazer um trabalho específico no início da temporada e que já rendeu frutos justamente neste sentido.

Após avaliações físicas e fisiológicas na volta para base depois de defender o profissional no início do Carioca, foi identificado perda de rendimento de Lázaro em treinos e jogos por conta de um desequilíbrio muscular. O Flamengo designou uma força-tarefa para cuidar do talento, com médico, preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo. Trabalho monitorando minuciosamente e que deu certo desde a volta ao sub-20 há um mês, dia 29 de maio, contra o Nova Iguaçu, pelo Carioca.

Neste período, Lázaro disputou cinco jogos, fez cinco gols, deu três assistências e correu muito mais. Estudos apontam melhora de quase 50% nas ações de alta intensidade em comparativo com o início de 2021. Em um dos quesitos, Lázaro tinha média de 550m em alta intensidade por partida na temporada passada e desde o trabalho já chegou a atingir 710m no jogo contra o América-MG, pelo Brasileirão. Especialistas indicam um crescimento progressivo, o que é o mais importante.

– Fico feliz por estar de volta e me sentindo muito bem. Quero agradecer a todos que me auxiliaram neste processo e me sinto cada vez melhor. Bem melhor do que estava antes – disse Lázaro em entrevista recente à FlaTV.

O agradecimento de Lázaro é direcionado a seis profissionais que realizaram o trabalho: Lucas Albuquerque (coordenador de fisiologia), Diego Paiva (fisioterapeuta), Leo Melo (preparador físico), Mauro Fonseca (médico), Alan Santos (fisioterapeuta) e Fernando Bassan (gerente médico da base).

Os números rebatem o argumento de Rogério Ceni de que o jovem não teria oportunidade no time de cima por conta de falta de intensidade. Lázaro segue na rotina de treinamentos esporádicos entre os profissionais, mas não tem sido relacionado. Após a derrota para o Bragantino, o treinador disse:

– O que ele precisa é de mais intensidade, para poder ter uma chance na equipe profissional. Ele é talentoso, todos sabem, assim como tem outros jogadores talentosos. Mas já conversei com ele isso frente a frente: preciso de um jogador mais intenso, mais participativo, para que ele possa se moldar de acordo com os outros jogadores que temos na equipe principal.

Além de Lázaro, Daniel Cabral, outro campeão mundial sub-17, ficou um período afastado dos jogos para reequilíbrio muscular e apresentou evolução nas avaliações. Nomes como Noga e Ryan Luka fizeram o mesmo trabalho, mas em escala menor e não precisaram ficar fora dos jogos.