Landim é o líder do movimento dos clubes por nova Liga

O presidente do Flamengo assumiu a palavra em outros momentos da reunião para falar pelos clubes aos dirigentes da CBF.

Rodolfo Landim, presidente do Flamengo – Foto: Divulgação

ESPN: Pedro Ivo Almeida

Os clubes da Série A evitam falar abertamente em lideranças do movimento que surge para esboçar uma nova liga que possa substituir o Campeonato Brasileiro – hoje totalmente comandando pela CBF. No entanto, na reunião da tarde desta terça-feira (15) na sede da confederação, no Rio, já foi possível verificar os dirigentes que encabeçam o processo.

Tão logo o encontro começou, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, foi o responsável por ler em voz alta a carta assinada por outros 18 clubes que detalhava os planos do grupo, segundo apurou o ESPN.com.br. Além da carta, o cartola do clube da Gávea assumiu a palavra em outros momentos da reunião para falar pelos clubes aos dirigentes da CBF.

Landim foi, ao lado do presidente do Athletico-PR, Mario Celso Petraglia, um dos entusiastas da decisão de levar a carta à CBF após muitos debates em grupos de conversas em aplicativos de mensagens. Petraglia também falou bastante na reunião desta terça.

Outros quatro presidentes de clubes pediram a palavra, representaram os colegas e defenderam pontos importantes no diálogo com a CBF: Maurício Galiotte, do Palmeiras, Romildo Bolzan, do Grêmio, Guilherme Bellintani, do Bahia, e Alencar da Silveira Júnior, do América-MG.

O grupo deixou claro que não pretende romper definitivamente com a CBF e vê a entidade como parceira para organizar uma futura liga. A ideia dos times é assumir setores importantes da competição e depender menos de decisões da confederação onde pouco costumam participar.

Os clubes ainda pretendem diminuir o peso das federações em eleições e aumentar a representatividade das agremiações em vice-presidências e diretorias estratégicas.

CBF aprova conversa e vê tom pacífico
A CBF avaliou o encontro como positivo e pacífico. Representada pelos vice-presidentes Gustavo Feijó, Castellar Neto, Fernando Sarney e Ednaldo Rodrigues, pelo secretário-geral, Walter Feldman, e por alguns advogados, a confederação ouviu mais do que falou. E prometeu avaliar todas as solicitações internamente.

Agora, os cartolas da entidade trabalharão a articulação junto às federações estaduais, únicas que podem impedir em assembleia a criação de uma liga separada da CBF.

Uma nova conversa ainda não tem data marcada, mas os dois lados acreditam que possa ocorrer em breve.

Por ora, a cúpula da CBF se concentrará na transição política em meio ao afastamento do presidente Rogério Caboclo. Passada a iminente retirada definitiva dos dirigentes de cena, vice-presidentes e federações avaliarão o cenário político junto aos clubes.

A movimentação
A crise na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com o afastamento de Rogério Caboclo da presidência, fez com que os clubes da Série A se mobilizassem nos bastidores. Nas conversas, através de um grupo no WhatsApp, nasceu a ideia de uma liga que passe a organizar o campeonato nacional.

Na sede da confederação, os presidentes de 19 clubes da Série A – o Sport não compareceu devido à renúncia do presidente – assinaram uma carta que pede alteração estatutária prevendo maior participação dos clubes nas decisões, participação nas eleições dos presidentes da entidade e a decisão de criar uma Liga de futebol que organizará o Campeonato Brasileiro.

Posteriormente, o Sport confirmou por meio de nota oficial que é favorável à criação da Liga, assim como dos outros pontos defendidos pelos clubes da primeira divisão.

A carta dos clubes:
Prezados Senhores,

Por unanimidade dos presentes, 19 (dezenove) Clubes da Série “A” do Futebol Brasileiro – em razção de diversos acontecimentos que vêm se acumulando ao longo dos anos e que revelam um distanciamento total e absoluto entre os anseios dos Clubes que dão suporte ao futebol profissional brasileiro e a forma como que é gerida a CBF -, reunidos nests data, decidiram adotar as postulações e resoluções na forma abaixo elencada:

1- Requerer a imediata alteração estatutária que consagre uma maior participação dos Clubes nas decisões institucionais e na gestão da CBF, admitindo-se os Clubes como filiados dessa entidade;

2- Dentre os itens desta alteração estatutária, necessariamente deve ser incluída a votação igualitária nas eleições para escolha do Presidente e Vice-Presidentes da CBF, sendo certo que Federações e Clubes das Séries “A” e “B” terão seus votos contados de forma unitária e com o mesmo peso entre si;

3- Ainda no que se refere à alteração estatutária, inclui-se o fim dos requisitos mínimos para inscrição das chapas concorrentes à eleição desta entidade, abolindo-se a necessidade de apoio de oito (8) federações e cinco (5) Clubes, permitindo-se o lançamento de chapas que tenham o apoio expresso de, ao menos, 13 eleitores, independente de serem clubes ou federações; e

4- Comunicar a decisão da criação imediata de uma “Liga” de futebol no Brasil, que será fundada com a maior breviedade possível e que passará a organizar e desenvolver economicamente o Campeonato Brasileiro de Futebol. Além dos Clubes signatários, os Clubes da Série “B” serão convidados a integrar a “Liga”.

Os Clubes adotarão as medidas efetivas para consumar a sua associação, para, de fora organizada, exercerem administração do futebol brasileiro e do seu calendário.

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