No Inter, Guerrero repete saídas conturbadas em Flamengo e Corinthians

A exemplo do que houve em Corinthians e Flamengo, Guerrero alega se sentir desprestigiado, que tem por plano de fundo o processo de renovação de contato.

Guerrero fazendo gesto obsceno ao ser expulso em Flamengo x Internacional – Foto: Reprodução

UOL: Paolo Guerrero tem futuro incerto no Inter. Não está definido que deixará o clube, ou mesmo se poderá renovar contrato. Mas houve uma ruptura, ao menos na relação estabelecida anteriormente com ele. O pedido público de rescisão que partiu do empresário do atleta estremeceu os bastidores do Beira-Rio e remete a duas passagens da carreira do peruano no Brasil: em Corinthians e Flamengo.

Foram momentos polêmicos que lembram o processo iniciado agora no Inter. Em ambos a renovação de contrato estava em jogo, e, depois de desacordo com os clubes, o jogador tomou outro destino. A imagem, registre-se, acabou arranhada com as duas torcidas.

Autor do gol do título do Mundial de Clubes de 2012, Guerrero está marcado na história corintiana. Mas seu desligamento passou longe de um cenário tranquilo. A negociação para ampliar o vínculo do centroavante começou em 2014, e após quase um ano entre idas e vindas, o desfecho foi o rompimento.

O jogador pretendia ganhar R$ 18 milhões em luvas e aumento salarial. O clube apresentou — numa última oferta — R$ 13 milhões. A negativa gerou críticas do então superintendente do clube, Andrés Sanchez. O dirigente chegou a dizer publicamente que o jogador poderia ir para outro clube, e ganhou apoio do então presidente, Roberto de Andrade.

Anos mais tarde, em um confronto com Corinthians, Guerrero disse que “não se sentia importante” no clube. Após o racha, foi para o Flamengo.

No Rubro-Negro, Guerrero teve contemplado seus objetivos financeiros. Chegou ganhando mais e com o valor de luvas pretendido anteriormente. O jogador foi tratado como símbolo de uma nova era para o clube, mas anos depois a relação acabou novamente em crise.

Sem grandes títulos no Fla, marcado por eliminações, Guerrero se viu novamente envolvido em um tortuoso processo de renovação de contrato. Após a punição por doping, que o retirou do time por um longo período e fez seu contrato de trabalho ser suspenso, a relação ficou bastante desgastada, para dizer o mínimo.

Novamente uma renovação começou a ser tratada. Guerrero, alegando dores, não disputou o sétimo jogo no Brasileirão de 2018, mantendo a possibilidade de atuar por outro clube. Repetiu-se o cenário de desacordo financeiro, outra vez o jogador alegou que se sentia desvalorizado e desrespeitado, desta vez com o desejo do Fla de um firmar contrato por um ano, sem pagar de forma retroativa o período em que esteve suspenso. Foi a vez de o Inter surgir como interessado e receber o camisa 9.

Pedido de rescisão pegou Inter de surpresa
A direção do Inter foi pega de surpresa no último sábado. Quando o time se preparava para a semifinal do Gauchão contra o Juventude, a notícia do pedido de rescisão do atleta chegou à imprensa. Em seguida, uma nota oficial assinada pelo representante de Guerrero, Vinícius Prates, e pelo atleta, ampliaram o desconforto no Beira-Rio.

Segundo apurou o UOL Esporte, o jogador jamais deu indícios de que pretendia romper. Nem mesmo depois de tudo o que ocorreu no último fim de semana. Tanto que seguiu sua rotina de recuperação de uma tendinite no joelho direito em atividades na manhã de ontem (3).

Ainda de acordo com apuração da reportagem, a atitude do agente do jogador irritou o comando do clube. O estafe citou um suposto desrespeito como justificativa para o pedido de desligamento. Segundo a direção do Inter, nem mesmo tal solicitação aconteceu.

O Colorado não aceita liberação sem pagamento da multa rescisória, estipulada em 2,5 milhões de dólares (R$ 13,5 milhões na cotação atual). Guerrero tem vínculo até o fim do ano, mas no próximo mês já pode assinar um pré-contrato que garanta transferência.

A exemplo do que houve em Corinthians e Flamengo, Guerrero alega se sentir desprestigiado, que tem por plano de fundo o processo de renovação de contato.

Não há data marcada para uma conversa que possa conciliar as partes. Empresário e clube dizem que não foram procurados pelo lado oposto para agendar um encontro. Enquanto isso, Guerrero tem futuro incerto, mas com histórico que indica um caminho já conhecido de saída pelos fundos.

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