Arrascaeta é o melhor estrangeiro da história do Flamengo

Em seis anos no futebol brasileiro, o jogador já acumula oito troféus levantados, sendo cinco deles pelo Flamengo.

UOL: Rodrigo Coutinho

O título acima pode soar precipitado a quem é mais conservador ou tem dificuldades de atualizar a história com os fatos presentes, mas o que Giorgian de Arrascaeta vem fazendo no Flamengo, desde janeiro de 2019, supera a trajetória de qualquer outro atleta internacional nos 109 anos de trajetória do futebol rubro-negro.

Esta será apenas a terceira temporada do uruguaio no Mais Querido, o que teoricamente é pouco tempo para construir uma idolatria. A questão, porém, é o que foi feito no período. O camisa 14 é um dos protagonistas de uma era de glórias para o clube. Dois títulos brasileiros, uma Libertadores, Recopa Sul-Americana, Supercopa do Brasil, Campeonatos Estaduais, e mais: um nível altíssimo de desempenho em campo.

A qualidade de Arrascaeta é conhecida no Brasil desde que começou a se destacar no Defensor, em 2013. Ainda com 19 anos, despertou a atenção de diversos clubes aqui. O Cruzeiro o contratou e, depois de um período de adaptação, o uruguaio passou a corresponder aos 4 milhões de euros gastos pela Raposa. Foi bicampeão da Copa do Brasil e venceu o Mineiro de 2018.

Em seis anos no futebol brasileiro são oito canecos levantados, cinco deles pelo Flamengo. Por mais que tenha amargado o banco de reservas durante alguns pequenos períodos de 2015 e 2017 no Cruzeiro, algo que se repetiria no time carioca, com Abel Braga, Arrascaeta sempre mostrou estar acima da média da bola jogada aqui. É só ter sequência que se mostra decisivo.

“O Rival”
O grande oponente de Arrascaeta no título proposto neste texto é o sérvio Dejan Petkovic. O autor do gol do título do tricampeonato estadual de 2001 e um dos protagonistas no Hexa brasileiro de 2009 é ídolo na Nação. Mas viveu altos e baixos em sua trajetória pelo clube. No próprio ano de 2009 voltou ao Flamengo como parte do pagamento de uma dívida com ele.

É bem verdade que Pet, em nenhum momento, teve companheiros do nível que o uruguaio tem hoje no rubro-negro. Em 2000 houve a frustrante tentativa de ”Selefla”, com Alex, Edilson, Gamarra, Juan, Júlio César e Denilson, mas não passou de uma reunião de ótimos jogadores sucumbindo à bagunça financeira e administrativa que era o clube.

As passagens que teve por Vasco e Fluminense também ajudam a distanciar o sérvio daquilo que Arrascaeta possui junto aos torcedores, por mais que o gol do Tri e a identificação de Petkovic com o Flamengo sejam muito marcantes. A personalidade de ambos também é muito diferente. O sérvio era mais comunicativo e chegou a se envolver em problemas de relacionamento com outros atletas. O uruguaio é mais retraído e querido internamente. São épocas muito distintas em termos de comportamento e relação dos jogadores com companheiros, mídia e torcida.

Outros estrangeiros como Doval, Valido, Reyes, Bria, Garcia, Benitez, Mancuso, Maldonado, Ufarte, Castillo, Volante, Pullen, Alfredo Gonzalez e Sergio Ramirez foram importantes em diferentes épocas. Doval, inclusive, foi o maior ídolo da torcida rubro-negra na primeira metade da década de 1970. Tinha muita identificação com o Flamengo e é constantemente lembrado como um dos principais atacantes da história do clube. Até hoje é o maior artilheiro estrangeiro com 95 gols em 263 jogos.

Desempenho

A média de Arrascaeta é um pouco inferior. 0,30 por jogo contra 0,36 do argentino. Doval atuou a maior parte do tempo como centroavante no Flamengo. O que mais chama a atenção no uruguaio é a dinâmica que dá ao sistema ofensivo do time. Mesmo não sendo aquele meia clássico e cerebral que povoa o imaginário de muitos brasileiros, auxilia na criação com ótimos passes finais, movimentação intensa, finalização excelente, força e velocidade nas ações perto da meta.

Além dos 32 gols marcados em 104 jogos, são 28 assistências. 60 participações diretas em tentos anotados pelo rubro-negro. Precisa de menos de dois jogos inteiros para gerar um gol diretamente. Isso sem contar as muitas participações indiretas, com pré-assistências ou recuperações de bola no campo de ataque, um dos pontos em que mais acrescenta.

Regularidade e Protagonismo

Os mais de 60 milhões reais pagos pelo Flamengo para contratar Arrascaeta em janeiro de 2019 representam a maior negociação da história entre clubes brasileiros. O jogador vem ”se pagando” não só com o nível citado acima, mas também com a frequência com que decide os jogos.

A virada sobre o River Plate na final da Libertadores de 2019 só foi possível por um desarme feito pelo camisa 14 ainda no campo de defesa, iniciando o contra-ataque que seria finalizado por Gabigol e ”assistido” pelo próprio uruguaio já dentro da área. Fez gol na ”final antecipada” contra o Inter no Brasileirão 2020, na decisão da última Supercopa do Brasil contra o Athlético, na semifinal do Mundial de Clubes em 2019, e na decisão do Estadual, no mesmo ano.

fotão – REUTERS/Pilar Olivares – REUTERS/Pilar Olivares
Bruno Henrique e Arrascaeta comemoram título do Flamengo na Libertadores
Imagem: REUTERS/Pilar Olivares
Arrascaeta é protagonista e, com apenas 26 anos, tem muita coisa para construir com a camisa do Flamengo. Tem contrato até dezembro de 2023 e o clube já se movimenta para uma renovação. Se conseguir manter a frequência de boas atuações e participações diretas nos gols, pode crescer ainda mais no panteão de ídolos rubro-negros.

Hoje já é o maior jogador estrangeiro da história do clube. E isso só mudará se cometer algum grave deslize comportamental ou cair muito de produção. Difícil de crer pelo seu próprio padrão.

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