Cássio, o novo ídolo rubro-negro

Quem garantiu, de fato, a conquista do Flamengo foi Cássio, goleiro do Corinthians, que evitou o gol que daria o título ao Internacional.

BLOG DO RENATO MAURÍCIO PRADO: Na conquista do oitavo título brasileiro do Flamengo, com direito a dois bicampeonatos (1982/83 e 2019/20), o herói rubro-negro da última e decisiva rodada não esteve no Morumbi, nem vestiu vermelho e preto. Quem garantiu, de fato, a conquista do Mais Querido foi Cássio, goleiro do Corinthians, que, com um punhado de boas defesas, evitou o gol que daria o título ao Internacional, no Beira-Rio.

Dependendo apenas de uma vitória para se sagrar campeão, o Fla de Rogério Ceni foi incapaz de fazer sua parte. Jogando um futebol indigno do talentosíssimo elenco que possui, perdeu a quarta partida seguida para o São Paulo, na temporada, e esteve bem próximo de ver a taça escapulir de suas mãos numa noite, ao mesmo tempo, frustrante e gloriosa.

Levantar o caneco após uma derrota sempre provoca desagradável gosto de água no chopp. Na última rodada de 2019, o Flamengo também perdeu, e feio, do Santos, em sua derradeira partida, na Vila Belmiro. Mas era uma situação bem distinta. O time de Jorge Jesus tinha sido campeão várias rodadas antes e estava com a cabeça no Mundial. Dessa vez, não.

É evidente que a equipe de Rogério Ceni depende fundamentalmente do brilho individual de seus principais jogadores. Não há um esquema tático bem definido que facilite seus desempenhos. O técnico tem seus méritos, principalmente, na inovação tática que recuou William Arão para a zaga e permitiu a escalação de quatro talentos no meio-campo (Diego, Gerson, Arrascaeta e Éverton Ribeiro). Mas isso ainda é pouco. Do meio pra frente, ou alguém desequilibra, ou é somente bola alta sobre a área.

Diante de um São Paulo numa retranca feroz (não foram três zagueiros, mas oito jogadores atrás da linha da bola), o Fla de Ceni não soube encontrar soluções. Dominou a posse de bola, mas foi incapaz de ameaçar de fato o gol de Tiago Volpi. Em contrapartida, num dos poucos ataques do tricolor paulista, Éverton Ribeiro fez uma falta tola e desnecessária em Tchê Tchê, na entrada da área, e daí nasceu o primeiro gol da partida.

É forçoso ressaltar o erro grosseiro do jovem e promissor goleiro Hugo Neneca, que armou mal sua barreira e se mexeu antes da hora, levando um gol no canto que protegia – falha indesculpável na cartilha de qualquer arqueiro. Mas, goleiro excepcional que foi, um dos melhores da história do nosso futebol, Ceni não deveria ensinar essas coisas básicas a seus comandados? Pois é…

Campeão da Série A, pelo Flamengo, dois anos após levantar o título da Série B, pelo Fortaleza, Rogério pode se orgulhar de um início de carreira exitoso, como treinador. Mas é claro que ainda precisa evoluir muito para ser considerado um técnico de ponta.

Suas substituições, na maioria das vezes, beiram as raias do inacreditável. Diante do São Paulo, perdendo e precisando desesperadamente da vitória, trocou Isla por Matheusinho e Diego por João Gomes!!! E assim foi até o final, embora Éverton Ribeiro, uma vez mais, não estivesse jogando bulhufas e Pedro tivesse sido obrigado a substituir Gabriel, que sentira o posterior da coxa. Por que não usar, então, Vitinho e Michael? Sim, ambos são erráticos e pouco confiáveis. Mas era preciso atacar. E Ceni nada fez.

Bruno Henrique empatara, em mais uma bola alta alçada sobre a área, mas Hugo voltara a falhar feio, numa reposição de bola que acabou no peito de Daniel Alves e daí para Pablo balançar a rede. E, embora ainda faltasse muito tempo para reagir, o Flamengo não mexeu mais, nem criou grandes oportunidades para virar o jogo, único resultado que lhe garantiria o título independentemente do que acontecia no Beira-Rio.

Salvou-o o empate que o Corinthians arrancou diante do Internacional, graças às defesas de Cássio, à trave e os gols (corretamente) anulados pelo VAR. E o Flamengo ganhou, assim, o seu oitavo título brasileiro. Graças a craques como Gérson, pra mim, o melhor jogador do campeonato, Gabigol, Arrascaeta e Bruno Henrique (seus principais destaques) e, vá lá, também um pouco a Rogério Ceni, que melhorou o rendimento rubro-negro, após a saída do catastrófico catalão Domènec Torrent.

Impossível, porém, não lembrar do rendimento desse mesmo time, sob o comando de Jorge Jesus. Se o Mister for demitido pelo Benfica e Ceni não acertar de vez essa equipe, sei não…

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