Melhor Flamengo de Ceni precisa voltar a “feder” a gol

A melhor atuação do Flamengo sob o comando de Rogério Ceni teve intensidade e concentração de jogo decisivo, apesar dos lapsos nos primeiros minutos dos dois tempos no Mané Garrincha que proporcionaram as duas melhores chances do Palmeiras, com Willian e Gabriel Menino.

Ambas em jogadas pela esquerda, aproveitando os conhecidos problemas de posicionamento na última linha de Maurício Isla – na segunda, Diego Ribas também vacilou deixando espaços para Viña.

Ceni optou por Willian Arão na zaga para não ser obrigado a escolher entre Gerson e Diego no meio-campo. Pressão no campo de ataque, circulação mais rápida da bola e um 4-2-3-1 bem desenhado que tinha Arrascaeta e Everton Ribeiro buscando os espaços às costas dos volantes adversários, Gabigol atacando a última linha palmeirense e Bruno Henrique quase sempre bem aberto pela esquerda, com Isla dando amplitude pelo lado oposto.

Na saída de bola, quase sempre um trio com Arão, Rodrigo Caio e Filipe Luís, o que qualificou bastante a construção desde a defesa e empurrou para trás, especialmente no primeiro tempo, um Palmeiras que sofreu para acompanhar e, em determinado momento, percebeu que era uma ladeira difícil de subir com a “ressaca” da goleada sobre o Corinthians e a cabeça na final da Libertadores contra o Santos.

Porque o Flamengo foi sólido coletivamente como há tempos não se via. Finalizou quinze vezes, seis no alvo, e não teve uma finalização na direção da meta de Hugo entre as seis do Alviverde. Nem mesmo a saída de Rodrigo Caio, novamente lesionado, para a entrada de Gustavo Henrique foi capaz de desestabilizar o time carioca, que chegou ao segundo jogo sem ser vazado – algo inédito nesta edição do Brasileiro.

A grande incógnita é se o time manterá a consistência nos próximos jogos. Dúvida pertinente, já que depois da virada sobre o Bahia com um a menos a expectativa era de uma arrancada para buscar a liderança e veio a sequência pífia, com um ponto conquistado contra Fortaleza, Fluminense e Ceará.

O mais provável é que oscile em desempenho, como todos no campeonato – inclusive o Internacional, que vem de sete vitórias seguidas. Mas para conquistar os resultados que podem levar ao bicampeonato será preciso resgatar a maior virtude da equipe dos cinco títulos e quatro derrotas sob o comando de Jorge Jesus: a artilharia.

O Flamengo “fedia” a gol, principalmente com o trio Arrascaeta-Gabigol-Bruno Henrique. Descomplicaram vários jogos, viraram placares e cenários adversos. Confiança alta alimentava uma fase iluminada de 96 gols e ainda 46 assistências no mágico 2019. Agora com Pedro, 22 gols marcados na temporada. 12 no Brasileiro.

Mas quando o rendimento foi o mais satisfatório, faltou a contundência na frente para tornar a vitória mais confortável e condizente com o domínio, especialmente no primeiro tempo. Gabigol errou uma assistência fácil para Arrascaeta e desperdiçou uma boa chance no rebote de Weverton. Bruno Henrique chutou cruzado para fora no segundo tempo. Sem contar os muitos erros de um Everton Ribeiro em queda livre desde a volta da seleção em novembro.

Já Arrascaeta se atrapalhou na disputa com Weverton na área e teve sorte dos zagueiros Luan e Kuscevic se atrapalharem em um lance de pelada de churrasco no primeiro gol. No final, a finalização precisa de Pepê, que entrou na vaga de Diego, definiu os 2 a 0 que alçaram os rubro-negros à terceira colocação. Com um jogo a menos em relação a Inter e São Paulo.

No rigor dos números, o time só depende de si para ser campeão. Novamente. Impressionante como as equipes que disputam efetivamente a liderança desde o início – Internacional, São Paulo, Flamengo e Atlético-MG – ganham sobrevida com a irregularidade dos concorrentes. O Flamengo nunca foi líder, já enfrentou crises seríssimas e continua resistindo na luta pela taça.

Mas para isso vai precisar de mais eficiência do seu ataque. Não é questão apenas de números, já que o time conta com o segundo melhor ataque da competição, com 52 gols em 30 jogos. Mas desde os tempos de Domènec Torrent é a equipe que mais desperdiça chances claras no campeonato.

Contra o Goiás, Arrascaeta, Gabigol e Pedro foram às redes, mas com chute desviado do uruguaio e falhas grotescas dos adversários nos gols dos centroavantes. Diante do Athletico em Curitiba, Ceni não contará com Bruno Henrique, suspenso. Pode manter o 4-2-3-1 com Vitinho ou retornar ao 4-4-2 com Pedro e Gabigol na frente.

Seja como for, vai precisar de bolas nas redes para transformar desempenho em resultado. Ou salvar jornadas não tão inspiradas. O clube investiu para isso e agora necessita de uma resposta efetiva de suas estrelas para salvar a temporada.

(Estatísticas: SofaScore)

ANDRÉ ROCHA: UOL

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