Rogério Ceni fala sobre evolução, caso de Gerson, clima no vestiário e justifica insistência em Vitinho

O técnico do Flamengo, Rogério Ceni, concedeu entrevista ao vivo ao programa Arena SBT na última segunda-feira, 21

Na noite desta segunda-feira, 21, o técnico do Flamengo, Rogério Ceni, concedeu uma entrevista ao vivo ao programa Arena SBT. Na entrevista, o treinador foi perguntado sobre as eliminações do clube na Copa do Brasil e na Libertadores, a evolução do time, o episódio de racismo envolvendo o Gerson durante a partida contra o Bahia no último domingo, 20, clima dos bastidores do vestiário e a reação de Arrascaeta ao ser substituído do jogo, que saiu contrariado e sequer cumprimentou Ceni ao sair de campo, além da sua insistência em Vitinho, que é frequentemente criticada pela torcida rubro-negra.

Ao iniciar a entrevista, Rogério Ceni deu a sua avaliação sobre a partida contra o Bahia, o que definiu como “um jogo de muito brilho dos atletas”: “Nós fizemos bons jogos. Contra o Racing nós merecíamos também, no 10 contra 11, durante muito tempo contra o Racing aqui o time mereceu passar de fase na Libertadores, mas infelizmente ficou nas penalidades máximas. Fizemos dois bons primeiros tempos contra o São Paulo pela Copa do Brasil, infelizmente também não passamos. Mas ontem foi um jogo que foi de muito brilho dos atletas, os caras se entregaram muito. Nós jogamos 91 minutos com um jogador a menos e conseguir reverter um 3 a 2 na parte final do jogo, isso dá um gás muito grande.”

Sobre o episódio de racismo sofrido por Gerson envolvendo Índio Ramírez e Mano Menezes, o treinador foi questionado se em algum momento chegou a ouvir algo, mas Ceni afirmou que não. “Não, dentro do campo é impossível. Muito menos o que o supostamente o árbitro disse que o Gabriel possa ter falado. Eu não consegui ouvir nada. Eu só primeiro vejo a indignação do Gerson e o que ele falou para mim no vestiário, a forma como ele falou bastante chateado… Eu acho que ele tem que combater sim qualquer manifestação ou forma pejorativa que ele seja tratado”, pontuou.

O técnico do Flamengo também falou sobre as eliminações precoces sofridas pelo Flamengo assim que ele iniciou o seu trabalho pelo clube. Rogério Ceni reforçou que o Mais Querido merecia ter se classificado para as quartas de final da Libertadores contra o Racing, e reconheceu a superioridade do São Paulo nos dois jogos pela Copa do Brasil.

“É claro que as eliminações pesam muito, sem dúvida nenhuma. O primeiro jogo das eliminatórias das quartas de final da Copa do Brasil foi um dia de treino apenas. Eu cheguei aqui na terça-feira, dei treino à tarde e nós fomos para o jogo contra o São Paulo e fizemos um grande primeiro tempo, mas na soma dos dois jogos o São Paulo foi superior, foi melhor e mereceu a classificação.

Já contra o Racing, tivemos um pouquinho mais de tempo, duas semanas de trabalho, o que é muito pouco, eu acredito, para um treinador. Mas nós não conseguimos a vitória, mas eu acho que na somatória dos 90 minutos a gente foi bem superior. E administrar essa parte é muito difícil, confesso a você. Para um clube da grandeza do Flamengo, você ter duas eliminações seguidas assim, chegar nesse momento de jogos eliminatórios e perder é bastante complicado”, disse.

Rogério Ceni completou a sua análise sobre a evolução do Flamengo dando credibilidade ao clima no vestiário e não poupou elogio aos atletas do clube. “No vestiário, é fantástico. Os jogadores são ótimos de se trabalhar. É impressionante como eles são dedicados, de coração, porque tem time que os mais velhos acabam não sendo exemplo e aqui é ao contrário. O pessoal mais experiente sempre assistindo aos treinamentos e no dia de recuperação, no dia seguinte, participam, querem vencer e brigam a cada tempo por vitória. Eu acho que é isso que faz o espírito que concluiu esse jogo de ontem.

Eu acho que o espírito do vestiário do Flamengo reflete o que foi esse jogo contra o Bahia. Com relação ao que vinha sendo feito antes, o sistema de jogo mudou bastante. É muito mais parecido como era o do Fortaleza, muito mais parecido era o Flamengo de antes, até porque são nessas características, nesses moldes, que eu vejo o que de melhor eu posso contar do Flamengo.”

Ainda sobre o relacionamento com o elenco rubro-negro, Rogério Ceni foi questionado se o elogio a Everton Ribeiro foi uma “cutucada” a De Arrascaeta. A situação se refere a atitude de Everton Ribeiro ao cumprimentar Ceni mesmo após ter sido substituído para a entrada de Diego, diferentemente do que fez o camisa 14, que não disfarçou a sua insatisfação ao ser substituído por Pedro.

Ao responder, Ceni amenizou qualquer clima de tensão nos bastidores do elenco e encarou toda a situação com normalidade, fazendo ainda uma análise positiva sobre os dois jogadores. “O Arrascaeta é um jogador genial, assim como o Everton. São dois jogadores com características muito parecidas: um destro que joga pela esquerda e um canhoto que joga pela direita com a função de armar.

Diferente do Fortaleza, onde a gente jogava com dois velocistas pelos lados. Eu gosto mais do Bruno Henrique por dentro… Mas eu entendo, compreendo completamente, o jogador ao sair de campo ele quer sempre estar lá dentro. Quando se está ganhando o jogo, é mais tranquilo, as substituições são mais tranquilas. Quando você está perdendo o jogo por 3 a 2, o atleta que está em campo ele acha que pode resolver e ajudar um pouco mais. Então, não tem problema nenhum”, afirmou.

“O Arrascaeta é um menino ótimo e bom de se lidar, assim como o Everton. É claro que a atitude do Everton é sempre mais tranquila de se levar, mas não tinha obrigação nenhuma de me cumprimentar. Mas eu tô super feliz com o desempenho dos dois. Eu acho que eles têm que crescer um pouquinho mais, logicamente, mas fisicamente eles vinham de lesões, de seleção, muito jogo etc. Eles são jogadores excepcionais, assim como todo o elenco do Flamengo”, completou o treinador.

Ao fim da entrevista, o técnico rubro-negro foi perguntado sobre a sua insistência em Vitinho, que é frequentemente criticada pela torcida. Em defesa do jogador, Rogério Ceni afirmou que respeita a opinião dos torcedores, mas foi enfático ao afirmar que “um atleta é aplaudido e incentivado, tende a render muito mais do que quando é vaiado”.

“Primeiro, eu respeito muito a opinião de cada torcedor. A gente não está aqui para mudar a opinião do torcedor, mas eu acho que quando um atleta é aplaudido e incentivado, ele tende a render muito mais do que quando é vaiado. Eu posso te garantir que o Vitinho, assim como muitos outros aqui, que às vezes são ‘conversados’ em determinado momento, são ótimos jogadores com condições de vestir a camisa do Flamengo. Então o apoio é sempre fundamental quando você está em um momento difícil e eu tenho certeza que ele ainda pode ajudar o Flamengo na carreira dele”, concluiu.

Retirado de: Mundo Rubro negro