Flamengo reduziu conta de luz do Maracanã em R$ 400 mil

A administração calcula que 10% da economia veio após o conserto das placas de energia solar na cobertura, em setembro de 2019.

Ao receber a goleada do Flamengo sobre o Santos, o Maracanã chegou aos 40 jogos em 2020. Com duas partidas a realizar no ano, a gestão compartilhada entre Flamengo e Fluminense viu receitas caírem, mas sobreviveu sem que os clubes precisassem injetar dinheiro adicional.

O dinheiro da empresa criada por Fla e Flu para gerir o Maracanã não se mistura com o caixa dos clubes. O valor só será sacado quando e se a permissão de uso dada pelo governo do Rio acabar. A divisão será meio a meio.

O estádio, em si, não arrecada com bilheteria diretamente. O dinheiro de ingressos vai para os clubes, que ficam responsáveis por arcar com as despesas do borderô, como aluguel e contas de consumo. Essas, sim, vão para a administração.

Tirando essas receitas citadas, os camarotes eram, até março, a principal fonte de receita: cerca de 70%. Os outros 30% eram dos patrocínios. Todos os camarotes foram vendidos em novembro, mas as parcelas mensais foram interrompidas com o fechamento do estádio.

— Como 2019 foi bom para o Flamengo, isso ajudou a gerar uma receita boa para o Maracanã. Vendemos todos os camarotes para 2020. Conseguimos ter caixa para começar bem o ano. Em março, tivemos que fechar o estádio e estávamos com uma gordurinha. O caixa foi só baixando — explicou ao GLOBO Severiano Braga, CEO do Maracanã.

Nas 20 partidas com público deste ano, o Maracanã recebeu 681.855 pessoas. Quem comprou camarotes em 2020 tem a preferência para comprar em 2021 ou quando o público voltar.

Quanto ao aluguel por jogo, o borderô da final da Taça Guanabara, por exemplo, mostra a cobrança de R$ 150 mil. Flamengo x Boavista, na fase de grupos, saiu a R$ 120 mil. Em ambos, havia público. Hoje, o valor descontado é R$ 30 mil.

— Quando parou tudo, a gente fez as contas. Daria para aguentar até o fim do ano. O aluguel e as contas de consumo ajudam no meu bolo — disse Severiano.

A projeção até otimista se dá pela queda nas despesas, em curso desde abril de 2019, quando os clubes assumiram o complexo. Até março, o custo mensal estava em R$ 2 milhões. No cenário atual, Severiano estima redução na casa dos 30%. Gastos com limpeza caíram pela metade: áreas nas quais havia trabalho diário agora recebem cuidado mensal, já que não há fluxo de torcedores.

A conta de luz é a maior dor de cabeça. A concessionária anterior gastava R$ 1 milhão por mês. Isso caiu para R$ 600 mil, segundo Severiano. E parte é bancada pelos clubes via borderô. Fluminense x Bragantino de 30 de outubro teve R$ 43 mil de contas de consumo.

A administração calcula que 10% da economia veio após o conserto das placas de energia solar na cobertura, em setembro de 2019.

— Na conta de energia, tem lá: “demanda contratada”, que é o valor que você deixa reservado na concessionária para usar. Você tem ainda a luz que você consome. Quando entramos, vimos que a demanda contratada estava muito alta. E não era usada — disse Severiano, explicando que o Maracanã, “de férias”, gasta pouco mais de R$ 200 mil/mês.

Gramado criticado
Em termos operacionais, o gramado do Maracanã foi o principal alvo de críticas em 2020. De jogadores e dirigentes do próprio Flamengo, inclusive. O investimento da administração no gramado, trocado em setembro, é R$ 700 mil/ano.

Além do alto número de jogos, Severiano cita um problema logístico que atrapalhou a Greenleaf, responsável pelo campo.

— Confio na Greenleaf. Precisava de sementes de inverno para o gramado. Elas ficaram cerca de 40 dias presas no porto por causa do número menor de pessoas trabalhando. A importação atrasou. Só chegou em meados de maio — diz o CEO, que não vê mais problemas com o campo.

A final da Libertadores, em 30 de janeiro, é um dos 12 jogos confirmados para 2021.

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