Departamento médico do Flamengo vive momentos de desconfiança dentro e fora do clube

Saídas de funcionários bem avaliados e chegadas de profissionais que nunca haviam trabalhado com futebol, aliado ao alto número de lesões musculares, colocam o setor, antes elogiado, no olho do furacão

Alexandre Vidal/Flamengo

Saem os elogios e entram as críticas: este é o atual cenário do departamento médico do Flamengo. Chefe do setor, Márcio Tannure vive momentos de cobranças externas, por grande parte da torcida, e também internas, com dirigentes insatisfeitos com as últimas escolhas do Gerente de Saúde e Alto rendimento do clube.

As recentes trocas no DM e na comissão técnica permanente ainda não foram bem digeridas por alguns membros da atual diretoria do Flamengo. Um deles, em conversa com a reportagem, fez questionamentos que todos fazem diariamente e que Márcio Tannure não conseguiu responder na coletiva da última sexta-feira: “quem escolheu quem? Qual foi o processo? Por que mudamos? Quem selecionou ? Currículo de cada um? Processos?” (veja no vídeo abaixo)

Márcio Tannure, ao menos, chamou a responsabilidade para si e garantiu que todas as saídas e chegadas foram feitas exclusivamente por ele. Por falar em saída, uma que pegou todos de surpresa no Ninho do Urubu foi o desligamento do médico Gustavo Caldeira. Gustavo foi demitido após a chegada do médico Marcelo Soares, demitido pelo próprio Tannure em 2015. Vale ressaltar que Marcelo Soares colocou o clube na Justiça após ser mandado embora e retornou ao Ninho a contra gosto do chefe do DM.

Outra chegada que ainda não foi entendida por muitos é a do preparador físico Rafael Winicki, personal trainer de alguns jogadores do elenco, nunca trabalhou em clube antes de ser contratado por Tannure e criticado publicamente em abril por Roberto Oliveira, o Betinho, membro da comissão técnica permanente do Flamengo desde 2016. Inclusive, nos tempos de Jorge Jesus, os profissionais da comissão técnica do português não gostavam da forma que Winicki trabalhava com alguns atletas fora do clube.

A chegada do fisioterapeuta Diego Paiva, outro que nunca havia trabalhado em algum clube de futebol anteriormente, também não foi aprovada por muitas pessoas no Flamengo. Questionado na coletiva sobre o fato de ter contratado profissionais que nunca haviam trabalhado com futebol, Tannure deu uma justifica que não foi engolida por dirigentes do Rubro-Negro:

“Em algum momento eles têm que começar. Os outros, quando eu trouxe, também não tinham trabalhado com futebol. Eles aprenderam e trabalhara. Achamos que era melhor mudar para sempre melhorar o processo.”

Logo depois da resposta, o mesmo dirigente que enviou os questionamentos citados no segundo parágrafo, questionou a declaração do médico à reportagem:

“Mas eles tinham que começar justamente no elenco profissional e no meio de uma pandemia?”

Flamengo x São Paulo – Copa do Brasil – Gabigol — Foto: André Durão

O MISTÉRIO DE GABIGOL:

A coletiva de Márcio Tannure deixou mais dúvidas do que esclarecimentos. E a situação piorou no treino do mesmo dia, quando Gabigol e Diego, atletas recém-recuperados de lesões musculares, não treinaram e desfalcaram a atividade por conta de problemas físicos. O atacante, segundo a assessoria, “realizou alguns exames, que constataram desequilíbrio muscular. Para evitar qualquer lesão, seguirá planejamento para voltar quando estiver 100%”. Já o meia “sentiu dores musculares e realizou exame, que constatou apenas fadiga muscular. Segue trabalho específico”.

O caso de Gabigol, inclusive, se tornou um mistério. O jogador foi substituído na partida contra o Racing, na Argentina, aos 12 do segundo tempo, colocando a mão na coxa e iniciando tratamento ainda no banco de reservas. Após o duelo, a assessoria informou que “já estava previsto que não atuasse o jogo inteiro. Segue planejamento para retorno gradual.” Apesar do planejamento, o camisa 9 pode ser desfalque no jogo mais importante da equipe na Libertadores, nesta terça, contra o Racing.

O zagueiro Rodrigo Caio durante atividade no Ninho do Urubu (Foto: Alexandre Vidal / Flamengo)

CBF X FLAMENGO NO CASO DE RODRIGO CAIO:

Outro caso que escancara as dificuldades do departamento médico do Flamengo é o de Rodrigo Caio. Márcio Tannure disse em coletiva que o zagueiro voltou lesionado após servir à Seleção. A CBF rebate, mesmo que não seja publicamente, e garante que o jogador já se apresentou ao técnico Tite sentindo dores no joelho e que o próprio atleta havia dito que tais incômodos eram desde as atividades no Rubro-Negro.

Com isso, Rodrigo Caio treinou normalmente com a seleção brasileira, não relatou dores, não fez exames e foi relacionado para as partidas. Contra o Peru, em 13 de outubro, o jogador do Flamengo, que estava no banco de reservas, foi acionado por Tite, após Marquinho se machucar. Ele atuou por 80 minutos e não se queixou de dores no joelho para os médicos da Seleção e retornou ao Rubro-Negro como havia chegado, sem lesões.

Na ocasião, Rodrigo Caio foi poupado de jogos do Flamengo para ficar 100% fisicamente. No dia 15 de outubro, a assessoria do clube comunicou que “após avaliações físicas e médicas realizadas na reapresentação, a comissão técnica decidiu poupar o atleta Rodrigo Caio do jogo desta noite”, que seria contra o Red Bull Bragantino.

No dia 16 de outubro, o Flamengo comunicou que “Com desgaste muscular, o atleta Rodrigo Caio segue trabalho específico”. No dia 21 de outubro, a assessoria atualizou a situação do camisa 3, dizendo que “após o retorno da Seleção Brasileira, o atleta Rodrigo Caio reclamou de dores no joelho direito. Exame constatou um edema ósseo no local. Iniciou tratamento e segue com os treinos específicos de fortalecimento muscular.”

Esse comunicado do Flamengo, inclusive, não caiu bem na CBF, pois no entendimento da equipe médica da Seleção, o atleta retornou ao seu clube da mesma forma que se apresentou ao técnico Tite, tanto é que não passou por exames médicos e, inclusive, mostrou estar bem fisicamente contra o Peru.

Depois de um período de recuperação e em fase final de transição, Rodrigo Caio sofreu uma lesão muscular na panturrilha direita, quando o atleta fazia trabalhos com o novo preparador físico do clube, Rafael Winicki, que passou ao jogador exercícios na caixa de areia e atividades de salto.

Desde então, o jogador está em processo de recuperação e com possibilidade de retornar na terça contra o Racing, pela Libertadores. O planejamento, entretanto, era retornar diante do Botafogo, no dia 5, mas por necessidade, já que Rogério Ceni não terá Natan e Thuler, suspensos, o DM do Flamengo está fazendo uma força-tarefa para deixar o camisa 3 pronto.

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