Com Dome, curinga Gerson ganha ainda mais atribuições: “Mais próximo dos atacantes”

Em entrevista ao ge, volante comenta as mudanças para ele com o novo comando e comenta rodízio: "Estar entre os 11 é um privilégio"

Gerson durante treino do Flamengo — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

GLOBO ESPORTE: Um dos principais destaques do Flamengo na multicampeã temporada 2019, Gerson ganhou obrigações extras em campo desde a chegada de Domènec Torrent. Além de marcar e dar qualidade na saída de bola, agora a exigência é também chegar dentro da área para finalizar. Nada que assuste o Curinga.

Na última quarta, Gerson voltou a ser titular do Flamengo na vitória sobre o Fluminense. Com Dome, ele atuou em sete jogos, todos como titular, e mantém o acerto de passes em mais de 90%.

– Eu tinha uma participação maior na construção da jogada. Agora tenho também a missão de auxiliar, mais próximo dos atacantes, das jogadas ofensivas. Tem sido uma experiência muito boa. Em um elenco tão qualificado quanto o do Flamengo, estar entre os 11 é um privilégio.

No próximo domingo, contra o Ceará, em Fortaleza, Gerson está suspenso. Vai se preparar para a retomada da Libertadores. Quinta-feira, o Flamengo enfrenta o Independiente del Valle, no Equador.

Em entrevista ao ge, Gerson comentou sobre exercer diferentes funções em campo, o rodízio implementado no time, o estilo de Dome e a evolução do Flamengo, que venceu os últimos quatro jogos no Brasileiro.

Ge: Contra o Fluminense, entrou bastante na área adversária e apareceu para concluir, mas também iniciou as jogadas. O que o Dome tem te pedido de diferente em relação ao que você estava acostumado a fazer?

Gerson: O Dome pede sempre para que os atletas à frente do primeiro volante joguem com intensidade para participar da iniciação da jogada e entrem na área para concluir. Acredito que essa vem sendo a principal diferença. Quem joga na função de volante pela esquerda ou direita tem um espaço de campo maior para jogar e correr. Seja atacando ou defendendo. Antes eu tinha uma participação maior na construção da jogada lá de trás. Agora tenho também a missão de auxiliar, mais próximo dos atacantes, das jogadas ofensivas. Tem sido uma experiência muito boa. O time todo tem assimilado as ideias da comissão técnica.

Como tem sido esta adaptação à nova função? Como você está se prepara? Dome e a comissão te ajudam de alguma maneira complementar (vídeos, indicações nos treinos…)?

A gente vai melhorando, evoluindo e aperfeiçoando no dia a dia e jogos. Assim é o futebol. Hoje o grupo já assimila muito melhor os novos conceitos e tenho certeza de que em pouco tempo estaremos bem próximos daquilo que o Dome espera de nós. São conversas, vídeos, prática e jogos. Só assim vamos melhorar. É um começo para a comissão técnica e para nós jogadores. O mais importante é: todos estão juntos para manter o Flamengo vencedor.

Com o Dome, você chegou a ser utilizado como primeiro volante contra o Santos. Onde você se sente mais confortável?

A torcida me chama de Curinga e o apelido já pegou. Agora não tem como voltar atrás. Eu já havia feito essa função na Fiorentina algumas vezes. Não é a faixa de campo onde eu atuo com mais frequência, mas estou disposto a ajudar. Procuro sempre aprender com coisas novas. Em um elenco tão qualificado quanto o do Flamengo, estar entre os 11 é um privilégio.

Gerson no clássico com o Fluminense, na última quarta — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Dome implementou uma política de rodízio no time. Como você e o elenco receberam isso? Estão conseguindo se acostumar? Como equilibrar a necessidade de descanso com a busca por melhor ritmo de jogo?

Não é uma prática tão comum no futebol brasileiro. O importante é todos estarem conscientes do papel dentro do elenco. A diretoria investiu e temos hoje um elenco em que todos têm condição de serem titulares. A comissão técnica quer extrair o máximo de todos e estamos fechados no objetivo de conquistas. O ritmo de jogo nós estamos começando a pegar de volta agora. O ritmo está mais ligado à pandemia do que ao rodízio. Esperamos chegar 100% na reta final da temporada.

São quatro vitórias seguidas e uma invencibilidade de sete jogos. Hoje, como você vê o Flamengo sob o comando de Dome? Até que ponto o time já absorveu as ideias dele?

Um time que já assimila muito melhor os conceitos e as ideias de jogo dele. E a tendência é melhorar cada vez mais. Mesmo tendo pouco tempo para treinar, a gente consegue sentir a qualidade dos treinos. Se tem qualidade de treino, certamente terá qualidade de jogo. É tempo. Hoje estamos melhor adaptados e temos margem para evoluir mais ainda.

Desde a chegada do Dome, vem se falando muito do chamado jogo de posição que ele adota. Você pode explicar um pouco como funciona para vocês? Houve críticas sobre ser um esquema mais estático, mas o que se viu contra o Fluminense, por exemplo, foi um time se movimentando bastante e sempre com diversas opções de passe.

Na verdade é um jogo em que os espaços no campo precisam estarem preenchidos. Todos eles. As peças não importam. Temos mobilidade para mudar de posição, nos movimentar, mas temos a obrigação de sempre ocupar os espaços pré-determinados. Aos poucos essa movimentação e o conceito vão se tornado algo natural.

Você sempre foi considerado o curinga do Flamengo. Com o Dome já jogou de primeiro volante, de segundo e às vezes mais avançado. Como tem isso tem ajudado na sua evolução pessoal como jogador?

Esse aspecto foi fundamental para a minha melhora como atleta. Abri minha cabeça e não fiquei preso à ideia de que somente fazendo gols e assistências seria importante. Procurei extrair o melhor de mim em cada função e fui me moldando como jogador. Posicionamento, tomada de decisão… tudo em mim evoluiu quando me abri para fazer novas funções.

Deixe uma resposta