“A FlaTV pode ensinar ao mundo como acabar com a TV tradicional no futebol”, afirma Milton Neves

FOTO: ALEXANDRE VIDAL/FLAMENGO

O Flamengo fez história ao transmitir sua última partida, contra o Boavista, na quarta-feira (01), através da FlaTV. Isso só foi possível após a Medida Provisória 984 ter sido assinada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Isso porque, a MP dá aos clubes mandantes a prerrogativa de negociarem como quiserem os seus direitos de transmissão. Como o Mais Querido foi o único clube da Série A do Campeonato Carioca a não fechar acordo com a emissora, se viu livre para realizar a exibição em seu canal oficial no YouTube.

Após os excelentes resultados, o jornalista Milton Neves, em seu blog no Uol Esporte, disse que “é possível, sim, que a Fla TV ensine ao mundo como acabar com a TV tradicional no futebol”. Para o apresentador, o lado mais poderoso era a Rede Globo que, mesmo assim, sofreu duas “dolorosas derrotas”. A primeira, foi quando a Medida Provisória foi assinada e validada; a outra veio com o “estrondoso sucesso da transmissão do jogo entre Flamengo e Boavista, pela FlaTV”, como ponderou ele.

— A Globo acusou o golpe, tanto que no dia seguinte rescindiu o contrato de transmissão do Campeonato Carioca. Agora é esperar para ver quem vai levar a melhor nesta guerra que há tempos se desenhava, mas que explodiu para valer nas últimas semanas. E é possível, sim, que a Fla TV ensine ao mundo como acabar com a TV tradicional no futebol – escreveu o apresentador.

Milton Neves foi além e fez questão de destacar que, “esse novo modelo tem, como quase tudo na vida, seus prós e seus contras”. Para o jornalista, “o lado bom é que o clube que conseguir se estruturar para essas transmissões tem tudo para faturar alto, sem precisar pagar ‘pedágio’ a ninguém”. Já o “contra”, ele indagou sobre uma transmissão isenta e livre de ‘clubismo’: “Quem criticaria o jogador, o técnico ou até mesmo a diretoria na transmissão feita pela TV do próprio clube?”.

O apresentador ainda fez outros questionamentos, como a utilização do VAR, se seria comandado pela transmissão da equipe mandante também; se o time mandaria à arbitragem um lance de possível pênalti contra, entre outros. Antes de encerrar, Milton ressaltou que, segundo a pesquisa da Pnad Contínua TIC, 25% da população brasileira ainda não tem acesso à internet, ou seja, isso poderia acabar impedindo o torcedor mais pobre de acompanhar seu time. Para o jornalista, entretanto, mesmo sem ter respostas para tais questionamentos por enquanto, o momento é de uma “grande revolução nas transmissões esportivas”.

Publicado em colunadofla.com.