Cinco substituições vão aumentar distância entre ricos e pobres no futebol.

Pedro e Michael
Foto: André Durão / Globoesporte.com

Pedro tinha proposta do Grêmio, para ser titular absoluto da camisa nove na equipe de Renato Gaúcho. Preferiu o Flamengo, mesmo enfrentando o desgaste do ódio da torcida do rival Fluminense, clube de origem do centroavante. Ainda que as chances de jogar fossem bem menores com a permanência de Gabriel Barbosa ao lado de Bruno Henrique no ataque. Tudo para trabalhar em um clube com chances maiores de grandes conquistas e também ser comandado por Jorge Jesus.

No futebol pós-pandemia ele terá mais oportunidades de entrar em campo com a camisa rubro-negra. A International Board autorizou, e a CBF aderiu, a inclusão de duas substituições para preservar o estado físico dos jogadores depois de uma interrupção longa nas atividades por conta da Covid-19. Os treinadores terão três janelas durante os 90 minutos para mexer nas equipes.

Mudança interessante, até pelo jogo cada vez mais intenso e as federações, junto com emissoras de TV/streaming, querendo um calendário cada vez mais inchado. Treinadores como Pep Guardiola, Jürgen Klopp e José Mourinho vêm reclamando nos últimos anos do enorme desgaste físico dos atletas na temporada.

Embora o anúncio seja de uma alteração temporária, até o final de 2020, a impressão é de que funcionará como um teste visando algo definitivo. Se tornar o jogo mais dinâmico e interessante, a tendência é que seja mantida como regra.

O grande risco é aumentar ainda mais a distância entre ricos e pobres. Uma tendência, quase certeza. Porque um jogador sondado pelo Manchester City de Guardiola, por exemplo, antes poderia optar por permanecer em um clube de menor capacidade financeira pelas chances maiores de jogar. Agora a possibilidade de estar em campo aumenta bastante. Além das lesões e suspensões, agora as cinco  substituições vão permitir uma minutagem maior.

Sem contar as variações que os grandes técnicos poderão treinar e colocar em prática nos mais variados cenários. Formações mais ofensivas ou defensivas, jogo mais direto ou de controle da posse de bola. Tudo de acordo com o contexto e contando com peças de alto nível para manter ou aumentar o rendimento.

É claro que os times de menor investimento ao menos terão a oportunidade de reoxigenar mais a equipe para tentar resistir. Meio time “fresco” para se defender e contra-atacar, se for o caso. Ou até arriscar um pouco mais, de acordo com as circunstâncias.

Mas a vantagem tende a ser ainda maior para quem pode pagar pelos melhores atletas. E o cenário econômico do futebol ainda é incerto, já que a bola parada é dura para quem paga milhões aos seus craques e vê a receita cair sem jogos e, consequentemente, receitas de TV. Mas deve ser catastrófica para os mais pobres e/ou mal geridos. Sabemos pelo clichê de que lado a corda costuma arrebentar.

Para Pedro, no Flamengo, o incremento nas substituições deve ser ótima solução. Veremos na prática se a mudança será positiva para o esporte.


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Blog do André Rocha / UOL