Cinco meses. 150 dias. 20 semanas. 3.600 horas. 12.960 segundos. Você escolhe a sua medida do tempo preferida. O fato é que hoje faz cinco meses da histórica conquista da segunda Taça Libertadores pelo Flamengo. A vitória sobre o River Plate, em Lima, aconteceu no dia 23 de novembro do ano passado. Parece uma eternidade desde que Gabigol foi mais esperto do que Pinola e fuzilou Armani no apagar das luzes.

Naquela época, não havia muitas novidades no planeta e poucas incertezas no futebol. Os rubro-negros ganhavam tudo (e assim foi até março). As únicas dúvidas eram descobrir quem seria o próximo derrotado, o próximo visual de Gabigol e a nova letra do samba do Rafinha.

Agora, não há mais convicção sobre nada. Confinados, vivemos um dia após o outro. Assustados, cuidamos de nossas casas, das nossas famílias e do nosso bem-estar. Saudosos, torcemos pela volta da rotina e da vida real. O cotidiano como ele é e sempre foi.

O futebol virou uma coisa mínima diante do cenário de desgraça, tristeza e degradação no qual estamos engolidos. O que não invalida o fato de os rubro-negros comemorarem sua efeméride com orgulho nesse feriado no Rio de Janeiro. O maldito vírus não tem o poder de apagar a história. Nem é capaz de impedir momentos de alegria na quarentena.

Como será o amanhã? Ninguém é capaz de saber. Até lá viveremos de cuidados, expectativas, sonhos e história. Comemorar feitos da vida e do futebol faz bem para a alma. Afaga o coração. Reaquece o direito de ter fantasias e brincar com um amigo, por exemplo.

Hoje, os desejos são menos grandiosos e mais simples. O torcedor rubro-negro que comemora o Marco-150 da conquista da Libertadores não pensa agora em mais um título. Ele só sonha em poder reencontrar seu time no Maracanã e voltar a ter direito de festejar, sofrer e ver o mundo lá fora. O resto vem depois. Para os rubro-negros e para todos. A pergunta que atormenta é bem simples. Quando?

Faltam menos de 7 meses para a final da Libertadores (21/11, no Maracanã). Se o planeta se transformou tanto em cinco meses, como estará daqui a 210 dias. Teremos sobrevivido? O mundo resistirá? Os clubes quebrarão? Vai ter futebol? A quarentena fará parte do passado? A vacina será descoberta? Teremos nossa vida de volta?

Estamos congelados no tempo. Na ampulheta do futebol, bem parecida com a da vida, ainda é possível comemorar alguma coisa. É o que os rubro-negros precisam fazer hoje. Apesar de ninguém saber ao certo como será o amanhã.

FONTE: BLOG DO LÉDIO CARMONA