“Jorge Jesus vale cada centavo pago”, diz Eduardo Bandeira

O Flamengo viveu meses de comemorações pelos títulos conquistados, em 2019 e 2020. Para muitos, o embrião disso tudo foi a gestão de Eduardo Bandeira de Mello. O ex-presidente é apontado como o principal responsável por recuperar a credibilidade do clube e abrir caminho para novos dirigentes, com o Flamengo consolidado.

Em entrevista exclusiva ao blog, Bandeira de Mello falou sobre o momento atual do Flamengo, gestão, Jorge Jesus e futebol. Leiam abaixo.

O Sr. foi o responsável por arrumar o Flamengo?

Não sou o único responsável. Não fiz nada sozinho e ninguém faz nada sozinho. Faço justiça à equipe fantástica que me acompanhou nos seis anos, como os vice-presidentes que trabalharam de graça e os profissionais que tiveram todo rigor, como uma governança de uma grande empresa. Agradeço muito também à torcida do Flamengo, que teve paciência, se dispôs a fazer sacrifícios quando eu avisei que seria assim. A torcida comprou a briga e sem o apoio dela, não teríamos chegado onde chegamos.

O Sr. pagaria uma fortuna para renovar com Jorge Jesus?

Eu acho que o Jorge Jesus vale cada centavo que foi pago a ele e se o clube tem condições de pagar o que ele está pedindo agora, eu acho que deve seguir em frente. Claro que tudo no Flamengo ou em qualquer clube deve ser planejado para saber se a gente tem capacidade de arcar com esses compromissos. Jorge Jesus é um treinador fantástico e mudou a forma de jogar do Flamengo e do futebol brasileiro. Espero que o Flamengo mantenha a mesma política de responsabilidade financeira e o profissionalismo adotado por nós.

A distância do Flamengo para seus rivais ficou muito grande?

É muito grande, mas os três clubes do Rio têm muita tradição, grandes torcidas e condições de recuperação para brigar com o Flamengo. O futebol será muito melhor quando todos forem competitivos. Hoje, a diferença ficou muito maior pela questão técnica, embora eu esteja muito satisfeito com o Flamengo ganhando tudo. Na medida que os clubes seguirem receitas, regras de governança, o equilíbrio será maior.

O Sr. toparia ser um gestor de futebol ou CEO de outro clube brasileiro?

Eu vejo essa possibilidade muito mais como uma homenagem do que realmente como uma possibilidade real. Embora, eu não tenha nada contra um torcedor de um clube trabalhar no outro, isso é um regime profissional, no meu caso trabalhar num rival direto do Flamengo, não seria bom nem para mim, nem para o clube. Posso conversar e ajudar, mas trabalhar mesmo, não me vejo longe do Flamengo e da arquibancada, que é o meu lugar.

Flamengo precisa de um novo estádio?

Olha, se o Flamengo conseguir a concessão do Maracanã por 35 anos, num processo licitatório, de segurança jurídica, vai poder fazer os investimentos que o estádio precisa. Nesse caso, acredito que o Flamengo não precisa se preocupar em ter um estádio próprio porque o Maracanã é a casa do Flamengo, onde a torcida se sente á vontade. Claro que Vasco, Fluminense e Botafogo devem seguir utilizando o estádio pela história deles. Agora, se houver algum aventureiro que impeça o Flamengo de conseguir a licitação nas condições ideais, acho que o Flamengo tem amplas condições de comprar um terreno e construir seu estádio.

O Sr. pretende ser presidente outra vez?

Acho que já cumpri minha missão. Outros rubro-negros têm condições. Meu lugar agora é na arquibancada, onde pretendo ficar.

Eduardo Bandeira de Mello foi presidente de 2013 a 2018, com uma gestão caracterizada na recuperação fiscal e financeira do clube. Em seis anos, o Flamengo foi campeão da Copa do Brasil e campeão carioca por duas vezes.

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