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Azeite Royal mostra risco de marca frágil

Azeite Royal
- Foto: Divulgação

No último ano, o futebol carioca resolveu ignorar o manual de sensatez do mercado de marketing esportivo e fechou com uma marca pouco confiável. O Azeite Royal tem como dono um executivo com uma série de problemas judiciais, fato desprezado pelos cartolas, mesmo no Flamengo, que está longe de viver uma situação econômica desesperadora. Os times arriscaram.

A resposta negativa, no entanto, veio rápida. Na última sexta-feira (20), o Azeite Royal anunciou a rescisão de contrato com Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Maracanã. A justificativa é a de que, “no momento, a prioridade é outra”, levando-se em consideração a crise do coronavírus e a suspensão dos campeonatos de futebol em todo o país.

Em um primeiro momento, a decisão da empresa parece fazer sentido. Afinal, patrocínio esportivo não é doação. Sem evento, não há por que insistir em um investimento sem retorno significativo. Mas por que, então, a empresa foi a única a tomar essa decisão até o momento, considerando as grandes equipes do futebol nacional?

Ao assinar o contrato com as equipes, o Azeite Royal nunca negou o interesse na exposição da marca. Mas, em todas as vezes, também alegou que o esporte é uma “ferramenta social para melhorar o desenvolvimento da nação”. Seja pelo discurso oficial, seja pelo simples fator de que futebol é algo bastante passional, a retirada no primeiro momento de crise soa como uma medida absolutamente oportunista. Mesmo com a manutenção da suspensão dos torneios, será muito improvável que empresas como BS2, Total ou Brahma tomem a mesma medida com o Flamengo, por exemplo.

Provavelmente, o Azeite Royal tomou essa decisão por um dos dois motivos: ou não considerou a mancha que uma retirada causaria na marca ou não tinha fôlego financeiro para manter os patrocínios durante uma crise. De qualquer maneira, são atitudes típicas de marcas mais frágeis. Novamente, é difícil imaginar a retirada de patrocínios por grandes companhias consolidadas no mercado em um momento como o atual.

De maneira geral, em nome de alguns trocados a mais, o futebol ignora completamente os riscos que envolvem esse tipo de empresa. Pode ser empresário com problemas judiciais, marcas que nem começaram a vender, origem desconhecida ou suspeita. Não faltam exemplos nos principais times nacionais. Normalmente, os acordos não chegam ao fim, seja por calote ou por rescisões apressadas. As marcas somem, mas a mancha do amadorismo fica impregnada na entidade esportiva.

MÁQUINA DO ESPORTE: Por Duda Lopes

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