Flamengo é absolvido por gritos homofóbicos de sua torcida no Fla-Flu

O Flamengo foi julgado nesta quinta-feira, no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro, pelos gritos de “time de viado” no Fla-Flu do dia 12 de fevereiro, pelas semifinais da Taça Guanabara. O clube foi absolvido no artigo 243-G (ato discriminatório) e condenado a uma multa de R$ 50 mil no artigo 191 (não cumprimento de regulamento da competição) pelo episódio.

No entendimento da maioria dos auditores da 4ª comissão do TJD-RJ, os gritos de “time de viado” não poderiam ser enquadrados como homofobia, “por não ter sido direcionado” a uma pessoa. Porém, entenderam que o episódio fere os regulamentos das competições.

– Para, no meu sentir, ser aplicado o 243-G, seria necessário haver um ofendido, assim como houve no caso do goleiro Aranha (episódio de racismo). Teria de ser um atitude que impedisse determinados torcedores de adentrar em parte do estádio e etc em razão da sua etnia e etc. A decisão do julgamento estabeleceu que o artigo 243-G foi afastado. A aplicação do 191 por ter sido desrespeitado o regulamento geral de competições e da Fifa em relação às tratativas entre torcidas e cânticos que podem levar a uma questão social, sexual, racial… A Fifa coíbe isso – explicou Marcelo Zonermann, presidente da 4ª Comissão Disciplinar.

O Flamengo havia sido enquadrado nos seguintes artigos:

Art. 243-G. Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009);

Art. 191. Deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento:
III – de regulamento, geral ou especial, de competição.

O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ pediu para ingressar como terceiro interessado, mas teve o pedido negado pela comissão. Um dos líderes do grupo, Cláudio Nascimento compareceu ao tribunal para dar um depoimento pelo combate à homofobia, mas não pôde se manifestar.

Já o Fluminense, cujo presidente Mário Bittencourt havia pressionado a procuradoria para abrir denúncia, não entrou com pedido para participar como terceiro interessado.

Por Felipe Siqueira GloboEsporte

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Por favor insira o seu nome aqui