BOMBA: Flamengo pode perder o Maracanã

Saudações rubro-negras, é com muita satisfação que inauguro esta coluna em um veículo de tamanha credibilidade como o Urubu Interativo para falar das coisas do nosso Flamengo. Quem conhece meu trabalho e acompanha minha carreira sabe que não é de hoje que trago informações pertinentes ao sonho do Mais Querido de ter seu estádio, seja administrando o Maracanã ou partindo para a construção de um equipamento próprio.

Desde o ano passado, o clube toca o Estádio Jornalista Mário Filho (que leva o nome de um de seus mais ilustres torcedores) com o Fluminense e, a despeito da fragilidade financeira do parceiro, vem obtendo ótimos índices de público e renda, alavancado pelas avassaladoras campanhas no Campeonato Carioca, Brasileirão e Copa Libertadores, mostrando que, ao contrário do que apregoava o viciado consórcio concessionário do palco de duas finais de Copas do Mundo, sim, o Maracanã é viável e superavitário.

Todavia, o sucesso dentro e fora do mítico campo pode estar com os dias contados, já que daqui a dois meses encerra-se o período de permissão, já renovado, para administrar o estádio, que é bem público vinculado ao Governo do Estado do RJ. Uma comissão formada no ano passado está alinhavando o edital para uma nova licitação para concessão do estádio por vinte e cinco ou trinta e cinco anos (a antiga licitação foi anulada pela Justiça após apontados ilícitos relacionados aos escândalos de corrupção em administrações estaduais anteriores, cujos chefes do Executivo encontram-se presos ou respondendo a processos criminais).

Embora a dupla Fla-Flu esteja se movimentando na formatação de uma proposta forte para concorrer à nova licitação, lembrando que o atual presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, possui larga experiência em processos licitatórios enquanto diretor de uma das subsidiárias da Petrobrás S.A. e o mandatário tricolor Mário Bittencourt é dono de notório saber jurídico, a parceria altamente lucrativa, por ironia do destino, põe em risco sua própria continuidade. As cifras acumuladas pela dupla nos oito últimos meses de 2019 despertaram a cobiça de grupos estrangeiros e tornaram atraente um empreendimento que até o ano passado era visto como elefante branco.

Receba as notícias do Flamengo em tempo real e participe de sorteios mensais. É grátis! (clique aqui e inscreva-se)

Não por acaso, Flamengo e Fluminense foram os únicos a formalizar um pedido de permissão para cuidar do Maracanã na primeira oportunidade. Entretanto, ao fim do prazo do primeiro período, lobistas e executivos consultaram o Gabinete Civil e só não encaminharam suas representações porque foram informados de que o contrato em vigor seria renovado. De fato, o Governo Estadual está muito satisfeito com o cumprimento à risca das obrigações contratuais, o depósito religioso dos aluguéis e taxas mensais além do repasse de parte da receita obtida com ações turísticas e de marketing, sem contar o ótimo estado de manutenção da construção.

A permissão a Flamengo e Fluminense foi uma promessa de campanha do atual governador Wilson Witzel, que sempre defendeu a participação direta dos clubes de futebol na administração do Maracanã e assumiu o compromisso de abrir às agremiações o direito de ingressar na licitação brevemente lançada, o que foi vedado pelo ex-ocupante do cargo, Sérgio Cabral Filho, para privilegiar empreiteiras que participaram da remodelação do estádio para a Copa do Mundo de 2014. Mas o atual modelo é precário, não oferecendo segurança de longo prazo para mudanças estruturais ou ações de marketing. Projetos como venda de naming rights ou retirada das cadeiras dos setores populares para aumentar a capacidade e reduzir o custo unitário do ingresso estão emperrados.

Ademais, Witzel não pode simplesmente entregar o Maracanã no colo de rubro-negros e tricolores. Um edital de licitação obedece a critérios técnicos aos quais será submetida cada uma das propostas apresentadas, para cada item é atribuída uma nota e a proposta melhor avaliada é declarada vencedora. Para não favorecer nenhum concorrente, os donos das propostas são mantidos em sigilo até o momento da publicação do resultado do processo (que pode durar de sessenta a noventa dias) e sua posterior homologação, pelo menos assim ocorre dentro da legalidade e moralidade. E não: o Flamengo não poderá ingressar sozinho com uma proposta pois não há vontade política de monopólio do uso do estádio, como aconteceu com o então Estádio Olímpico João Havelange, de propriedade da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e arrendado pelo Botafogo durante a administração de César Maia.

Em suma: o Governo Estadual pode garantir a participação de Flamengo e Fluminense no edital de licitação porém não há garantias de que ambos logrem êxito nessa empreitada conjunta, até porque devem ter concorrentes de peso para alcançar o objetivo.

Para mais detalhes, acesse o vídeo sobre o assunto: 

Mauro Sant’Anna é jornalista formado em 2002 pela UERJ e desde 2003 realiza a cobertura do Flamengo.

Publicado em Urubu interativo

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Por favor insira o seu nome aqui