Uma casa e um time em memória de Jorge Eduardo

Uma casa e um time em memória de Jorge Eduardo
Jorge Eduardo: planos com o primeiro contrato Foto: Reprodução / Reprodução

Concluir a construção da casa nova virou mais do que a meta de quem procura melhorar de vida. Para Alba Valéria, é honrar a memória de Jorge Eduardo, o filho perdido no incêndio do Ninho do Urubu. O zagueiro, que estava a seis dias de completar 16 anos e assinar o primeiro contrato profissional, já sabia o que fazer com os primeiros salários:

– Ele falava: “Mãe, quando assinar meu contrato vou fazer a casa para você e meu pai” – lembra Alba.

Merendeira numa escola estadual de Além Paraíba-MG, ela já decidiu que a casa nova terá um quarto para o filho perdido. Todas os seus pertences seguem guardados no mesmo lugar, como se o 8 de fevereiro não tivesse ocorrido. O problema é que Jorge Eduardo não está mais lá para ocupá-lo. Um vazio que gera saudade e indignação.

– Queria que você incluísse aí uma pergunta que eu gostaria de fazer aos diretores do Flamengo: “Quando eles deitam a cabeça no travesseiro conseguem ter a consciência tranquila?”.

A revolta vem de uma mulher que, ao mesmo tempo em que lidou com o luto, precisou consolar o outro filho, Carlos Augusto, e o marido. Com um histórico de perdas traumáticas (o pai morrera num acidente de trânsito; e a mãe, em decorrência de complicações ocorridas durante um exame médico), o mecânico Wanderlei Dias entrou em choque ao perder o filho nas mesmas circunstâncias.

– Ele não queria comer e ficou dois meses sem trabalhar – conta Alba. – Ele dizia que tinha medo de voltar e botar a vida dos outros em risco.

O JE Futebol Clube, de Além Paraíba-MG Foto: Arquivo pessoal

Com a ajuda de Alba e dos amigos, Wanderlei voltou a fazer o que gosta. Apoio, por sinal, é que o não falta em Além Paraíba. Como homenagem, os colegas de Jorge Eduardo montaram o JE Futebol Clube para a disputa de campeonatos amadores.

Na final do campeonato de bairros, o JEFC foi derrotado nos pênaltis. Mas encheu Alba de orgulho. Nas cores verde e branco e com uma águia e uma estrela no escudo, mantém a memória (e o nome) de Jorge Eduardo vivos.

Publicado em Extra

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