Flamengo estuda notificar Fluminense por cantos de “Time de Assassino”

O Flamengo avalia se vai ingressar com uma notícia de infração por conta dos cantos de “Time de Assassino”, canto proferido por parte da torcida do Fluminense na vitória tricolor por 1 a 0. Outras hipóteses cabíveis estão sendo estudadas também.

O Rubro-negro formalizaria a notificação no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD), e caberia à procuradoria-geral do órgão colocar a questão em julgamento.

Em tese, o episódio poderia ser enquadrado no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata sobre desordem na praça de desporto. Há previsão de multa e perda de mando de campo caso a matéria vá a julgamento e o pleito do Fla seja considerado procedente.

Os cantos em alusão ao incêndio que vitimou 10 jovens da base rubro-negra indignaram a diretoria e os jogadores. O atacante Yuri Cézar, por exemplo, deixou o campo chorando.

“A gente não controla, o que a gente pode afirmar é que não há assassinos no Flamengo. O que aconteceu até hoje machuca a gente, porque vai ficar marcado na história do clube. Não controlo o grito da torcida adversária, que tenta de alguma forma ferir a gente com esse absurdo, eu acho um absurdo. Acho que a gente deveria ter um pouco mais de consciência, respeitar mais o que aconteceu, porque foi um trauma para todos nós”, disse o técnico Maurício Souza.

Por meio de nota oficial, o Flu se manifestou de forma contrária ao ocorrido. O clube classificou de “excessiva” a atitude e condenou o gesto de parte da arquibancada. Confira a íntegra do comunicado.

O Fluminense Football Club manifestou desde o primeiro momento sua solidariedade com as vítimas da tragédia ocorrida no Ninho do Urubu. Portanto, não pode deixar de registrar a inadequação da manifestação de parte de sua torcida ontem, no Fla-Flu, pois soou excessiva ao chamar o Flamengo de time de assassinos.

O fato do clube da Gávea ainda não ter resolvido a questão com todas as famílias, o que não deve ser avaliado por nós, mas sim pelos órgãos competentes, não nos dá o direito de manifestações ofensivas neste sentido, até mesmo porque temos a certeza de que independentemente da responsabilização da instituição na esfera legal, não houve qualquer conduta intencional no triste incidente ocorrido.

Aliás temos a certeza de que não só as famílias sofrem com o que ocorreu. O clube sofre, os funcionários sofrem e os dirigentes também. Seremos sempre solidários.

O fortalecimento do futebol brasileiro passa pelo entendimento de que a paixão verdadeira, embora inevitavelmente distanciada da estrita racionalidade, não pode naturalizar a ofensa como forma de manifestação.

Mas, sem abrir mão do pedido de desculpas em nome de sua torcida, o Fluminense aproveita o fato para fazer um apelo de que cessem atitudes semelhantes por parte de todas as torcidas.

Sem nos estendermos, devemos lembrar casos passados e que não envolveram o Fluminense. Lembrar também de casos atuais. Em jogo recente contra o Flamengo, parte da torcida do Vasco entoou o mesmo cântico repetido ontem por parte da nossa torcida e não vimos qualquer repercussão ou cobrança da opinião pública e das mídias esportivas sobre o fato. Em síntese, não aceitamos que o Fluminense seja mais uma vez rotulado num caso onde todas as torcidas, sem exceção, estão envolvidas. Sem falar no racismo, na homofobia ou no insulto à honra que são costumeiros nos estádios por todo o mundo.

O futebol vive da paixão, mas assim como na vida, não pode se deixar capturar por ela de forma a justificar todo o tipo de atitude inadequada.

Por fim, após relembrar que casos como o de ontem são corriqueiros em todas a torcidas, rogamos para que os olhos e ouvidos da opinião pública e especialmente da imprensa esportiva, estejam sempre abertos e atentos a este tipo de conduta que envolva todo e qualquer clube de futebol.

Por Leo Burlá do UOL

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